domingo, 11 de dezembro de 2016

As fontes de Moel

            A necessidade que trabalhadores e animais que na Mata outrora laboravam tinham de matar a sua sede, levaram os Serviços Florestais a construir, a partir de 1909, um conjunto de poços e fontes, aproveitando as muitas nascentes existentes no Pinhal. Muitas dessas fontes, existentes ainda nos dias de hoje, e a julgar pelas inscrições que em algumas podemos observar, terão sido construídas, ou reconstruídas, nas décadas de vinte ou trinta do passado século, sendo de crer que antes seriam apenas pequenas bicas decorrentes das várias nascentes que ocorrem em vários locais do Pinhal
            O ribeiro de S. Pedro de Moel é resultado de um conjunto de três outros pequenos ribeiros que, vindos de sul, se juntam um pouco antes da ponte de S. Pedro de Moel, na Estrada Nacional 242-2 que liga a Marinha Grande a S. Pedro de Moel. A partir desta ponte o ribeiro passa a correr entre as abruptas encostas do vale que lhe serve de leito, atravessando os locais da Valdimeira e Ponte Nova até chegar ao Canto do Ribeiro e entrar na Praia Velha onde desagua.
            É precisamente ao longo desse trajecto do ribeiro, circulando pela estrada florestal que o ladeia, que podemos encontrar um apreciável número destas fontes.
            Em 1938, o Eng.º Arala Pinto, então chefe da Circunscrição Florestal da Marinha Grande, no seu livro “Pinhal do Rei”, assinalava as fontes existentes nas margens do Ribeiro de Moel:

            ● Fonte da Ponte de S. Pedro – Talhão 276
            Fonte da Felícia – Talhão 260
            ● Fonte dos Franceses – Talhão 261
            ● Fonte do Arrife 14 – Talhão 262
            ● Fonte dos Amieiros – Talhão 262
            ● Fonte dos Guardas – Talhão 264
            Fonte da Ponte Nova – Talhão 247 (margem esquerda do ribeiro)
            Fonte da Ponte Nova – Talhão 247 (margem direita do ribeiro)
            Fonte do Arrife 20 – Talhão 249
            ● Fonte do Canto do Ribeiro – Talhão 250

            Sobre estas fontes há que dizer que a Fonte da Ponte de S. Pedro e a Fonte do Canto do Ribeiro já não existem.


Fonte da Felícia
Fonte dos Franceses
Fonte do Arrife 14
Fonte dos Amieiros
Fonte dos Guardas
Fonte da Ponte Nova – margem esquerda do ribeiro
Fonte da Ponte Nova – margem direita do ribeiro
Fonte do Arrife 20

2 comentários:

  1. Caro JM. Gonçalves.
    Mais um post elucidativo e que ao exemplo de outros vão repondo muito da nossa história. Claro que um obrigado é pouco, mas aqui fica.
    Duas notas. Uma das fontes que não identifico na listagem do Engº Arala Pinto (abaixo da das Felicias, mas do lado esquerdo, era bastante férrea, correctamente ou não, muita gente que sofria de anemia bebia bastante agua dessa, directamente da bica ou enchendo garrafões para a ter sempre à mão.
    Outra "duvida": A fonte da Formosa (noutra zona) é conhecida na zona de Carvide por "fonte dos guardas". Penso que o correcto é Formosa (aliás nome da primeira povoação onde termina o concelho da Mª Grande e começa o de Leiria).
    Abraço
    Rodrigo Henriques

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Caro Rodrigo

      De facto, também eu me lembro de, ainda nos anos de 1980, neste troço de estrada, haver uma fonte a que chamavam fonte de água férrea. Na base da encosta, junto à estrada, a água corria directamente para a valeta por uma pequena calha. Cheguei a parar no local e beber directamente pela calha. Tinha realmente um intenso sabor a ferro. Essa fonte desapareceu e nos dias de hoje já não me lembro onde era. Talvez fosse uma nascente temporária e não existisse no tempo do Engº Arala Pinto, ou talvez ele não tivesse a tivesse assinalado.
      Acerca de na zona de Carvide a fonte da Água Formosa ser conhecida como fonte dos guardas não me espanta, mas desconhecia. O correcto é mesmo Água Formosa, local já indicado no Borrão do Campo da Carta Topográfica do Real Pinhal de Leiria em 1807.
      Obrigado pelo comentário.
      Cumprimentos,
      JM Gonçalves

      Eliminar

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...