sábado, 15 de novembro de 2014

O Observatório Astronómico Pinhal do Rei

            Existe no local conhecido como Alto dos Picotos, junto aos, ainda visíveis, vestígios da antiga Casa de Guarda da Queimada, no talhão 300 do Pinhal do Rei, um observatório astronómico que ali funcionou durante alguns anos e que, nos dias de hoje, se encontra abandonado.
            Construído no âmbito do projecto UCROA (unidade de Controlo Remoto de Observação Astronómica), levado a cabo pela ANOA (Associação Nacional de Observação Astronómica), fundada em 1995 por um grupo de astrónomos amadores da Marinha Grande, que, mais tarde, resolveram associar-se em torno de um projecto que denominaram RNOA (Rede Nacional de Observação Astronómica), este observatório foi inaugurado em 5 de Agosto de 2000.
            A escolha do local para implantação deste observatório deveu-se ao facto de o local ser um dos pontos mais altos do Pinhal do Rei, possibilitando a observação de grande parte do horizonte. Por outro lado, a proximidade de linhas telefónicas, de energia eléctrica e da estrada 242-2, entre a Marinha Grande e S. Pedro de Moel, que facilitava os acessos, foram também factores que pesaram nesta escolha.
            O edifício, que acolheu o maior telescópio robotizado do país, é constituído por uma cúpula de três metros de diâmetro e por um corpo central onde estava instalado todo o sistema informático incluindo o computador de Rastreio Automático de Meteoros.
            Estando o observatório implantado no Pinhal do Rei, o contrato de arrendamento de uma área de cerca de 300 metros quadrados para sua construção e usufruto, celebrado entre a ANOA e o Património do Estado, detentor desta mata nacional, obrigava a que a estrutura do observatório fosse precária, e ao pagamento de 250 mil escudos (contos) anuais por um período de cinco anos.
            O projecto do Observatório Astronómico Pinhal do Rei, também conhecido pelo nome de Projecto UCROA, implicou, à época, um investimento de cerca de 18 mil contos, sendo co-financiado pelo Ministério da Ciência e da Tecnologia em 12 mil, e tendo o restante ficado a cargo da ANOA e dos impulsionadores do projecto.
            A cerimónia de inauguração contou com a presença do Ministro da Ciência e Tecnologia, Mariano Gago, do Governador Civil de Leiria, Carlos André e do Presidente da Câmara da Marinha Grande, Álvaro Órfão, entre dezenas de outros participantes.
            O projecto do observatório e os objectivos da ANOA deixaram o Ministro e restantes entidades oficiais presentes encantadas, mostrando-se interessadas em colaborar e ajudar financeiramente, dadas as dificuldades da ANOA. Porém, vendo o estado a que chegou o projecto do Observatório Astronómico Pinhal do Rei, tais promessas, feitas em dia de inauguração, vistas hoje em dia, foram insuficientes e incapazes de se manter até hoje, revelando a incapacidade de organismos ou instituições ligadas a serviços de utilidade pública de os manter de pé ao longo dos tempos.
            Ao longo dos anos, o Observatório Astronómico Pinhal do Rei foi palco de inúmeras actividades: palestras, exposições, observações no âmbito de projectos como o Ciência Viva e Astronomia no Verão, e muitos encontros de astrónomos com caracter regional ou nacional. Em Agosto de 2001, durante três dias, recebeu a Astrofesta, cuja organização coube à Associação do Museu de Ciência da Universidade de Lisboa em colaboração com a Associação Nacional de Observação Astronómica e a Associação Portuguesa de Astrónomos Amadores, tendo ainda o apoio de diversas entidades locais e nacionais.
            Mas, hoje em dia, olhando a realidade, só poderemos tirar uma conclusão… É que, em breve, se nada for feito, e tudo indica que não, o Observatório Astronómico Pinhal do Rei será, apenas, mais uma ruina a juntar a tantas outras no Pinhal do Rei.


Placa indicando o Observatório Astronómico Pinhal do Rei

Rombo na cúpula do Observatório



            Coordenadas Geográficas aproximadas:
            39° 45' 07" N
            09° 00' 44" W

 
Fontes:
Jornal o Correio (Marinha Grande), edição de 11 de Agosto de 2000
Jornal da Marinha Grande, edição de 10 de Agosto de 2000
Jornal da Marinha Grande, edição de 17 de Agosto de 2000
http://planeta.ip.pt/~ip224640/anoa.htm

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