sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Acerca do monumento a D. Dinis e à Rainha Santa Isabel em S. Pedro de Moel

            A ideia de levantar um monumento ao Pinhal do Rei e a D. Dinis vinha a ser levantada pelo jornal Diário de Lisboa desde 1931, voltando ao assunto em 1935 e 1939. Por essa altura, com a “Comemoração dos Centenários”, a ideia parecia finalmente avançar mas, “a despeito de muitos apoios oficiais, incluindo o do Ministro da Agricultura”, dissipou-se.
            Isso mesmo é-nos contado no artigo publicado a 23 de Agosto de 1952 com o título: “Está ainda por pagar a dívida de gratidão ao Rei D. Dinis e ao Pinhal de Leiria”.
            Segundo o mesmo jornal o monumento ou padrão a erigir ao Pinhal de Leiria seria “altaneiro e simples, como o próprio pinheiro de alto fuste” e teria uma singela inscrição: “Daqui saíram as madeiras para as naus da India”. Porém, não tendo avançado a ideia inicial, surgiu posteriormente uma outra: “A erecção de um monumento ao Rei D. Dinis”.
            Diz-nos ainda o mesmo artigo que Arala Pinto, administrador do Pinhal do Rei (de Leiria), em 1951 numa conferência, “(…) proferida na Casa do Distrito de Leiria, evocou o sonho ao qual dera expressão em 1942”, lembrando as várias personalidades Marinhenses e Leirienses, “paladinos da ideia de se pagar a dívida de gratidão a D. Dinis (…)”. Dessas personalidades faziam parte “o escultor Luís Fernandes e o pintor Nery Capucho, os quais ambos traçaram uma “maquette” do monumento ao “Rei Lavrador (…)”.
            Mas, já em 1938, Arala Pinto, em nota final da sua obra “O Pinhal do Rei”, falava da importância de se “pagar a dívida de gratidão ao Rei D. Dinis”, dedicando ao tema várias páginas e mostrando imagens da maqueta para tal monumento.
            Porém, o monumento, composto por um tríptico com três metros de altura onde estariam representados nos painéis laterais “os monarcas de século XIV, com as armas de Portugal e de Aragão, e no retábulo central seriam esculpidas a terra agricultada, o mar, as caravelas, o pinhal, (e) as dunas”, nunca seria construído.
            Apenas em Outubro de 1972 foi inaugurado na orla do Pinhal, à entrada de S. Pedro de Moel, um monumento em homenagem ao Rei D. Dinis e à Rainha Santa Isabel. Este monumento foi oferecido à Marinha Grande pelo Ministro das Obras Publicas Eng.º Rui Sanches e é da autoria do escultor açoriano Numídico Bessone.


In: "Diário de Lisboa", nº 10678, Ano 32, Sábado, 23 de Agosto de 1952

©casacomum.org/Fundação Mário Soares


Maqueta para o pressuposto monumento ao Rei D. Dinis e à Rainha Santa Isabel
In: Pinto, A. A., 1938/39, O Pinhal do Rei. Subsídios, Alcobaça, Ed. Autor

O tríptico do pressuposto monumento ao Rei D. Dinis e à Rainha Santa Isabel
In: Pinto, A. A., 1938/39, O Pinhal do Rei. Subsídios, Alcobaça, Ed. Autor

Monumento ao Rei D. Dinis e à Rainha Santa Isabel em S. Pedro de Moel

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

O engenho de serrar madeira movido a energia eólica

            Existiu no Século XVIII na Marinha Grande um engenho de serrar madeira movido a energia eólica.
            Foi o Rei D. João V que, por volta de 1724, tentando resolver o problema da serragem das madeiras, comprou e mandou instalar na Marinha Grande este engenho movido a vento.
            Totalmente construído em madeira por engenheiros holandeses foi montado onde hoje é o Parque Florestal do Engenho e, embora o seu funcionamento estivesse condicionado a vento certo e moderado, trabalhou cerca de 50 anos.
            O Marquês de Pombal, em 1751, interessando-se pelo engenho e pela sua segurança, mandou murar todo o recinto e criou o regulamento da “Fábrica da Madeira”. Nesse regulamento pretendia-se o controle estatal desta actividade, centrando-a exclusivamente no “engenho” e na “Fábrica da Madeira". Para isso mandava o Regulamento “extinguir inteiramente todas, e quaisquer serrarias de mão que haja no Pinhal, ou na Vieira” e, reconhecendo a necessidade de alguma madeira continuar a ser serrada manualmente por não ser essa operação compatível com o serviço do engenho que, “toda a madeira que for necessário serrar-se por serras de mão, por não abranger o serviço do Moinho, seja serrada dentro dos muros do Engenho, recomendando muito ao Superintendente que não consinta serras de mão em outra alguma parte (…)”.
            Devido a deficiências no seu mecanismo, este engenho foi destruído em 1774 por um incêndio provocado pelo atrito e nunca mais foi reconstruído.
            Foi derivado à existência deste engenho naquele lugar que, ao seu redor, foi nascendo um pequeno povoado que ficou conhecido como: “O lugar do Engenho”. O Engenho ainda hoje faz parte da Freguesia e Concelho da Marinha Grande.
           O topónimo “Engenho” dá também o nome ao parque florestal onde existiu tal engenho e ao largo que lhe fica em frente.

O Regimento de 1751

Placa assinalando o Largo do Engenho

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Pôr do Sol sobre o Pinhal do Rei

            A enorme nuvem de fumo proveniente dos incêndios no interior centro e norte do País provocou, no passado dia 30 de Agosto, este efeito no pôr do Sol sobre o Pinhal do Rei. Um efeito bonito mas dramático se tivermos em conta a tragédia que lhe deu origem.

Pôr do Sol sobre o Pinhal do Rei em 30-08-2013
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