terça-feira, 27 de agosto de 2013

Os Ordenamentos e a gestão do Pinhal do Rei

            Documentos imprescindíveis à gestão do Pinhal do Rei, os Ordenamentos eram como uma espécie de balanço ou inventário que, tal como hoje, temporariamente, se fazem em qualquer empresa e em qualquer ramo de actividade. Neles não só se analisava a gestão do Pinhal nos anos anteriores, dando a conhecer a sua situação geral, como também se programava todo o seu desenvolvimento futuro, prevendo essa mesma gestão para os anos seguintes, por exemplo ao nível do abate de árvores em futuros cortes finais.
            Mas nem sempre foi assim! Até muito perto do final do Séc. XIX o Pinhal do Rei nem sempre teve uma gestão organizada.
            O primeiro Ordenamento foi definido em 1892 por Bernardino Barros Gomes e elaborado conjuntamente com os silvicultores Joaquim Ferreira Borges e José Lopes Vieira. Como preparação para este ordenamento foi, nos anos de 1880, 1881 e 1882, elaborada por Bernardino Barros Gomes, Carlos Augusto de Sousa Pimentel, Joaquim Ferreira Borges e A. A. de Carvalho, a Planta Geral da Mata de Leiria (Pinhal do Rei).
            Este primeiro Ordenamento foi revisto em 1898 por José Lopes Vieira, seguindo-se actualizações periódicas de 10 em 10 anos, até 1967.
            Em 1980, Acácio Amaral, Chefe da Circunscrição Florestal da Marinha Grande, elaborou novo Ordenamento. Este Ordenamento foi revisto em 1990 pela Eng.ª Susana Bordalo Pinheiro.
            A partir dessa data, com o aparecimento de novos métodos e ferramentas de gestão da Floresta, acabaram os Ordenamentos.

O Ordenamento de 1892

A revisão do Ordenamento feito em 1907

A revisão do Ordenamento feito em 1927-37

O Ordenamento de 1980

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Cuidado! Não provoque o fogo!

            Sem data de edição que conseguisse apurar em concreto, este cartaz, editado pelos Serviços Florestais por volta do início da década de 80 do Séc. passado, chamava a atenção para os perigos dos incêndios florestais.
            Com as dimensões de 48.5 x 33 cm, através de um engraçado personagem, o cartaz, que também circulou no nosso concelho e nas nossas escolas, apontava tais perigos dizendo: “Cuidado! Não provoque o fogo! - Lembre-se! Um fósforo ou uma ponta de cigarro podem ser o princípio....”. Uma mensagem sempre actual que, nestes dias quentes de Verão, convém ter em conta, não vá o pior acontecer ao nosso Pinhal do Rei.

domingo, 11 de agosto de 2013

O Ponto de Vigia do Facho

            Bernardino Barros Gomes mandou instalar em finais do Séc. XIX os primeiros pontos de vigia para detecção de incêndios no Pinhal do Rei.
            Naquela época, estes Pontos eram apenas pequenas barracas de madeira com torres anexas nos sítios mais altos do Pinhal: Facho, Ladeira Grande, Crastinha e também no edifício da Resinagem.
            Em 1885 foi construído o Ponto da Boavista substituindo o do Edifício da Resinagem.
            Em cada um destes pontos de vigia viviam dois homens vigiando permanentemente o Pinhal, vindo um deles avisar a Administração em caso de incêndio.
            Construídos em madeira e dado que esta estava a apodrecer, os primitivos Pontos de Vigia da Ladeira Grande e da Crastinha foram reconstruídos alguns anos após a sua construção. Por estar mal construído foi também reconstruído o Ponto do Facho.
            Nessa reconstrução, estes Pontos passaram a ser constituídos por altas armações em ferro, em cujo topo, rodeado por uma varanda, estava o posto de vigia.
            A partir de 1936, por projecto do Eng.º Mário Amaro Santos Galo, o Ponto do Facho e o da Crastinha foram reconstruídos em cimento armado. O Ponto da Ladeira Grande foi substituído pelo Ponto Novo. Nessa reconstrução, anexa à torre de vigia, existia uma pequena casa onde viviam os Guardas que faziam a vigilância.
            Em 2007, durante obras de conservação, o Ponto de Vigia do Facho foi alterado no que respeita ao projecto inicial do Eng.º Mário A. Santos Galo sendo-lhe retirada a escada exterior em caracol e substituída por uma escada metálica vertical acoplada à torre.
            Actualmente, o funcionamento destes Pontos de Vigia limita-se aos meses de Verão.

O antigo Ponto de Vigia do Facho - finais do séc. XIX

O Ponto de Vigia do Facho antes de 2007

O Ponto de Vigia do Facho depois de 2007

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Morcegos no Pinhal do Rei

            O grupo "Borboletas da Marinha Grande" organizou mais uma das suas sessões de observação de borboletas nocturnas, desta vez no Vale dos Pirilampos no Pinhal do Rei. Esta sessão era aguardada com alguma ansiedade por alguns dos regulares membros do grupo, já que traria associada uma novidade nunca antes praticada pelo grupo.
            De facto, tratou-se de uma sessão de observação conjunta de morcegos e borboletas nocturnas.
            Sílvia Barreiro e Bruno Silva, conhecedores do assunto em questão (quirópteros), transmitiram aos participantes conhecimentos acerca dos morcegos em Portugal e no Mundo, inclusive através de uma apresentação multimédia.
            O objectivo em relação à sessão de observação de morcegos era a captura de eventuais espécimes habitantes daquela zona do Pinhal, observá-los e catalogá-los sendo, para tal, montadas redes para a sua captura.
            Porém, ia já adiantada a hora sem que nas redes tivesse caído algum indivíduo. Algum desalento grassava entre os presentes na sessão.
            Já passava da uma da manhã, e quando já nada o fazia prever e se preparava já o desmontar das redes, quando numa delas, montada um pouco mais longe do local onde nos encontrávamos, foi capturada uma fêmea da espécie Nyctalus leisleri (Morcego-arborícola-pequeno). Mais tarde foi também capturado um macho da mesma espécie.
            Esta espécie faz parte das 27 conhecidas em Portugal sendo que 25 ocorrem no Continente, 1 endémica dos Açores e 1 endémica da Madeira e das Canárias.
            São conhecidas cerca de 1200 espécies de morcegos.
            Dos dois exemplares foi feito o registo de todas as suas características. Foram observados e mostrados em pormenor a todos os participantes na sessão, o que muito agradou a todos, sendo, mais tarde, devolvidos à liberdade. Foi assim cumprido um dos objectivos desta sessão de observação.
            No que respeita às borboletas nocturnas esta foi uma sessão de fraca profusão.
           É, também, com actividades deste tipo que se vai conhecendo e dando a conhecer melhor o nosso Pinhal do Rei.
            Informação mais detalhada pode ser vista no site Borboletas da Marinha Grande.
   Pormenor da “asa” do Nyctalus leisleri


Nyctalus leisleri (fêmea)
Nyctalus leisleri (macho)
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