segunda-feira, 29 de julho de 2013

O Vale dos Pirilampos

            O pequeno lugar conhecido como Vale dos Pirilampos está integrado numa zona de maior amplitude conhecida por Vale da Felícia, um dos locais de maior biodiversidade e onde podem ser admiradas algumas da espécies de fauna e flora autóctones do Pinhal do Rei. Está situado entre as abruptas vertentes do Ribeiro de S. Pedro de Moel, entre a ponte conhecida como Ponte de S. Pedro, na Estrada Nacional 242-2 entre a Marinha Grande e S. Pedro de Moel, e o lugar da Ponte Nova.
            Atravessando o Pinhal de Este para Oeste, o Ribeiro de S. Pedro de Moel, serpenteando em direcção à foz na Praia Velha, entre curva e contracurva, talvez devido também a pequenos troncos caídos e em decomposição que, ao longo dos tempos, se acumularam naquele lugar obstruindo-o parcialmente, alargou o leito e formou um pequeno lago, criando um dos mais belos e calmos recantos do Pinhal do Rei.
            Relatos antigos descrevem este local como ponto de encontro de grupos de jovens que, no Verão, aqui se reuniam para usufruírem do pequeno lago, refrescando-se, e onde não faltava uma pequena corda, suspensa de uma árvore, de onde os mais audazes, balanceando-se, se lançavam sobre a água.
            O principal acesso ao Vale dos Pirilampos faz-se a partir da Fonte da Felícia, pelo pequeno carreiro que acompanha o ribeiro, sendo um dos mais belos trajectos em todo o Pinhal e um dos mais aconselhados para um descontraído passeio pedestre. O silêncio, quase absoluto, apenas quebrado por eventuais ruídos silvestres, o canto das aves e o murmurar da água do ribeiro tornam o local maravilhoso e de uma beleza natural extrema.
            Porém, dadas as consequências do temporal de Janeiro, percorrer este trajecto paradisíaco tornou-se quase impossível. Intransitável para muitos e quase intransitável para alguns, o carreiro, àqueles que teimem em fazer este trajecto, obriga a um esforço tremendo, passando por cima ou por baixo da enorme quantidade de arvoredo caído que nele se encontra, e a uma redobrada atenção, dada a proximidade do ribeiro.
            Dadas as circunstâncias, aconselha-se a quem queira visitar o Vale dos Pirilampos a fazê-lo pelo talhão 259 do Pinhal, virando à direita antes da ponte de S. Pedro, isto para quem se desloca na Estrada Nacional 242-2 no sentido Marinha Grande – S. Pedro de Moel, e, cerca de mil metros à frente, entrar directamente no pinhal cortando à esquerda por um caminho de terra batida, embora com alguma areia.
            Como todo o Pinhal do Rei, o Vale dos Pirilampos encontra-se actualmente subtraído de parte da sua beleza natural, necessitando urgentemente que seja desimpedido o acesso a partir da Fonte da Felícia. Hoje em dia, a poça, que atrás designei como pequeno lago, está maior, embora com menos água, a ponte perdeu a protecção lateral e o lixo, incluindo troncos caídos e em decomposição, acumula-se cada vez mais, perturbando o normal curso do ribeiro em direcção à foz na Praia Velha.
            O Vale dos Pirilampos e, de uma maneira geral, todo o Pinhal do Rei mereciam um pouco mais de atenção.






Coordenadas geográficas aproximadas do
Vale dos Pirilampos:
39° 45' 23.02" N
8° 58' 56.94" W









Entre a Fonte da Felícia e o Vale dos Pirilampos


O Vale dos Pirilampos
(Fotografias de 2006)

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Um fogo no Pinhal do Rei

            Publicado na Ilustração Portuguesa, um suplemento do jornal “O Século”, em Setembro de 1916, este impressionante artigo relata, ao longo de quatro páginas, a ocorrência de “Um fogo no Pinhal de Leiria”.
 
 
 
In: Ilustração Portuguesa nº 550 de 04 de Setembro de 1916
© Hemeroteca Digital

domingo, 7 de julho de 2013

Marcos de 1841 no Pinhal do Rei

            Existem ainda no Pinhal do Rei alguns dos marcos que, segundo o Eng.º Arala Pinto no seu livro “O Pinhal do Rei”, foram colocados em 1841 quando se fez o levantamento da respectiva Carta Topográfica do Pinhal Nacional de Leiria. Estes marcos, os mais antigos que ainda, nos dias de hoje, podemos observar, encontram-se ao longo do Aceiro Exterior delimitando o Pinhal em toda a sua fronteira do lado de terra. Na inscrição colocada na face virada para o Pinhal, composta por três partes, podemos observar na sua parte superior um número que, à partida, será o número atribuído a cada marco.
            Ao analisar a legenda da já referida Carta Topográfica encontramos uma explicação para as abreviaturas que dela constam. Aí pode ver-se, entre outras, que M=Marco. Ao analisar a mesma Carta encontramos várias abreviaturas “M” ao longo do Aceiro Exterior, seguidas de um número. Esse número é sequencial, aumentando de Norte para Sul ao longo do Aceiro Geral, circundando todo o Pinhal do lado de terra. Na zona entre a Garcia e a Portela há uma sequência que vai de “M29” a “M32”, o que para o “M30” corresponde ao marco junto ao actual Aceiro N, entre as Casas de Guarda do N e das Gaeiras. Este marco encontra-se ainda em bom estado de conservação, está perfeitamente visível e com muito boa acessibilidade, embora na fotografia em anexo não seja perfeitamente perceptível que o segundo algarismo do seu número seja um zero. Porém, a confirmação de que se trata do marco “M30” foi feita visitando o marco indicado na mesma Carta, imediatamente antes deste, situado junto à Casa de Guarda do L e que ostenta a indicação “M29”.
            Na parte intermédia da inscrição nestes marcos, imediatamente abaixo do seu número, encontram-se as letras “PR” o que quer dizer Pinhal do Rei ou Pinhal Real.
            Na parte inferior da inscrição encontramos uma letra. Essa letra poderá corresponder a uma possível divisão do Pinhal em parcelas, designadas por letras, conforme podemos verificar em anteriores Cartas do Pinhal, embora me não tenha sido possível confirmar essa indicação.
            Como atrás ficou dito, segundo o Eng.º Arala Pinto, estes marcos foram colocados em 1841 mas a existência do mesmo tipo de numeração de marcos nas Cartas de 1769 e 1816 indicam que, provavelmente, estes substituíram outros, já anteriormente colocados nos mesmos lugares.



Marco indicado na Carta Topográfica de 1841 como “M30”
Localizado no Aceiro Exterior, junto à Casa de Guarda do N

Marco indicado na Carta Topográfica de 1841 como “M29”
Localizado no Aceiro Exterior, junto à Casa de Guarda do L

Marco colocado em 1841, já retirado do Pinhal
Encontra-se guardado no Parque do Engenho
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