segunda-feira, 29 de abril de 2013

Joaquim Ferreira Borges

            Engenheiro Silvicultor formado pela Escola Florestal deTharandt (Alemanha) em 1881. Neste ano foi nomeado subchefe da Divisão Florestal do Centro (Marinha Grande),sendo seu superior Bernardino Barros Gomes, com quem trabalhou nas triangulações dos Pinhais de Leiria e Valado e no estabelecimento das redes divisionais. Foi transferido para a Figueira da Foz onde, em 1886, foi nomeado chefe interino da Circunscrição do Norte, com sede nesta cidade.
            Neste ano os Serviços Florestais passaram a ser designados por Circunscrições Florestais, chefiadas por engenheiros silvicultores, tendo sido Joaquim Ferreira Borges o primeiro chefe da Circunscrição Florestal da Marinha Grande, em substituição de Carlos Augusto de Sousa Pimentel, transferido para chefiar a Circunscrição Florestal do Norte.
            A 18 de Maio de 1887 elaborou um regulamento cujo objectivo foi reunir todas as medidas preventivas contra fogos (que a prática tinha ensinado), determinar as atribuições do pessoal bem como a sua distribuição durante a época de defesa, de maneira a evitar as situações de confusão em caso de incêndios. Neste âmbito propôs o estabelecimento de uma linha telefónica entre Marinha Grande e Vieira de Leiria, e entre estas duas povoações e os pontos de vigia no Pinhal de Leiria.
            Publicou trabalhos importantes sobre novas técnicas de arborização de dunas, aclimatação de essências florestais exóticas e da necessidade de investigação florestal.
            Em 1912 tornou-se o primeiro Director dos Serviços Florestais. De 1913 a 1924 passou a Inspector dos Serviços Florestais e Aquícolas e depois novamente Director Geral.
            Colaborou em todos os boletins da Direcção Geral da Agricultura e no primeiro volume de “Notas sobre Portugal”.

IN: http://www.afn.min-agricultura.pt/portal

 
Patente de 10 a 27 de Março de 2011 na exposição "Factos e Personalidades do Pinhal do Rei", na Galeria Municipal da Marinha Grande – Edifício dos Arcos (Jardim Stephens)

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Fonte do Arrife 20

            Conhecida pelo nome do arrife junto do qual se situa, a Fonte do Arrife 20 fica na margem esquerda do Ribeiro de Moel, a Norte da Ponte Nova, no talhão 249.
            Ligeiramente afastada da estrada, de onde não é visível, é preciso percorrer alguns metros até ela. Possui uma inscrição que creio indicar a data da sua construção:


M-N
26-6-31


Fonte do Arrife 20

domingo, 14 de abril de 2013

Locais a visitar no Pinhal do Rei

            Hoje vou tentar satisfazer o interesse de algumas pessoas que me contactaram a pedir informação sobre possíveis locais no Pinhal do Rei, com interesse, do ponto de vista histórico, turístico, de lazer ou simplesmente palco de curiosidades ou lendas, que recomendaria a quem visitasse esta Mata.
            Bem que eu gostaria de aqui deixar uma lista de locais e equipamentos bem cuidados e preservados, em vez de um conjunto de ruinas de antigas Casas de Guarda, fontes ao abandono e a precisar urgentemente de restauro e limpeza, e tudo mais que, com alguma desolação, vamos encontrando no Pinhal.
            De facto, há muito que esta Mata carece de uma maior atenção. O restauro de fontes e antigos edifícios, ainda em razoável estado de conservação, evitaria o avanço da sua degradação. Para além disso, a colocação, nestes edifícios, de pequenas placas de identificação informando acerca da sua origem e história evitaria que, por falta de estarem assinalados, passassem despercebidos ao visitante ou até aos Marinhenses menos informados, como acontece, por exemplo, com o Chalé das Matas Nacionais em S. Pedro de Moel, a Estação do Comboio Americano em Pedreanes ou o antigo Ponto de  Vigia da Boavista na Marinha Grande.
            Para além disto, há que repor ou restaurar placas de identificação de algumas das espécies florestais classificadas como de interesse público que, por vandalismo ou por acção do tempo, foram danificadas. E, por que não assinalar também algum do arvoredo raro no Pinhal para que todos soubessem de que espécie se trata, como por exemplo o tulipeiro do Tromelgo?
            Mas, para que o visitante possa usufruir de toda a beleza e plenitude do Pinhal do Rei, é também necessário que sejam melhoradas as estradas florestais cujo estado de conservação, em alguns locais, como acontece nos acessos ao Ponto de Vigia da Crastinha, torna quase impossível a circulação.
            Com esforço e dedicação muito se poderia fazer pelo Pinhal do Rei valorizando-o em termos turísticos, mantendo tradições e realçando o seu valor histórico e de beleza natural.
            Sabemos que o Pinhal do Rei, hoje Mata Nacional de Leiria, é de facto uma mata essencialmente destinada à produção intensiva de madeira e que, na sua zona produtiva, actualmente, se visa a produção de árvores para madeira de construção de boa qualidade. Mas, por que não aproveitar também todo o seu enorme potencial turístico? Afinal, uma coisa não impede a outra.
            Aqui fica então a lista, sempre sujeita a actualização, daquilo que me parece interessante conhecer e visitar no Pinhal do Rei.

______________________________________________________________________

Locais a visitar relacionados com o Pinhal do Rei


Na Marinha Grande:

Antigo Ponto de Vigia da Boavista
Parque do Engenho
Edifício da antiga Fábrica de Resinagem
Edifício da Administração das Matas
Marco (Pombalino) no átrio da antiga F.E.I.S.

Em S. Pedro de Moel:

Chalé das Matas Nacionais
Antiga Casa de Guarda de S. Pedro de Moel
Farol do Penedo da Saudade
Passeios pedestres da C.M.M.G.
Parques de campismo
Monumento ao Rei D. Dinis e à Rainha Santa Isabel
Parque infantil Eng.º Arala Pinto

Em Vieira de Leiria:

Antigas Casas de Guarda (Mourão, Serraria, etc.)
14ª Administração Florestal
Antigo Ponto de Vigia dos Outeiros

Em Praia da Vieira:

Lugar das antigas Tercenas
Estacada oitocentista na Foz do Rio Lis
Percurso ao longo do Rio Lis entre as pontes da Bajanca e das Tercenas
Parque de campismo
Antigas Casas de Guarda da Praia

No interior do Pinhal:

Parque de Merendas da Portela (pinhal manso)
Ponto de Vigia da Crastinha
Ponto de Vigia Ponto Novo
Ponto de Vigia do Facho
Vale dos Pirilampos
Pinhal manso
Pinheiro-Serpente das Pedras Negras, árvore notável, classificado árvore de interesse público
Casas de Guarda em ruínas (várias): Garcia; Sanguinhal: Cova do Lobo; Pilado; Rio Tinto, etc.
Ruína da antiga Casa dos Bombeiros
Poço dos sete (Poço Branco)
Canto do Ribeiro
Praia Velha – Foz do Ribeiro de S. Pedro de Moel
Duna Primária
Vestígios do antigo ripado móvel do Séc. XIX (perto da Ponto da Crastinha)
Observatório Astronómico Pinhal do Rei
Fonte do Sardão
Lagoa da Saibreira
As “Mamas da Rainha” – Areeiro (talhão 139)
Pombal do Rei
Local no talhão 258 onde, em 1960, se fizeram buscas de petróleo

Fontes ao longo do Ribeiro de S. Pedro de Moel:

Fonte do Arrife 20
Fonte da Felícia
Fonte dos Guardas
Fonte dos Amieiros
Fontes da Ponte Nova (margens esquerda e direita do ribeiro)

Na Ponte Nova:

As fontes
A ponte
Árvores notáveis, classificadas árvores de interesse público

No Rio Tinto:

Antiga Casa de Guarda
Lugar onde existiu o maior pinheiro bravo do país (desaparecido em 19-01-2013)

Na Água Formosa:

Antiga Casa de Guarda
Parque de Merendas
Fontes
Ponto de água

No Tromelgo:

Antiga Casa de Guarda
Parque de Merendas
Tulipeiro
Eucalipto, árvore notável, classificado árvore de interesse público
O recinto (onde existiu o viveiro florestal)
Fonte do Tromelgo
Ponto de água
O ribeiro

No Samouco:

Parque de Merendas
Samoucos, árvores notáveis, classificadas árvores de interesse público
Fonte do Samouco
Fonte das Canas
Ponto de água

Em Pedreanes:

Barracões (vários)
Bairros Florestais
Nitreira
Lavadouro
Depósito de água
Antiga Serração
Eiras
Estação do antigo Comboio Americano (Tramway)
Armazém (barracão) do antigo Comboio de Lata
Antiga Casa de Guarda
Monumento a Bernardino Barros Gomes
Pinheiro manso

domingo, 7 de abril de 2013

O tojo

            Nas longas temporadas que passava na sua casa de S. Pedro de Moel, Afonso Lopes Vieira, dada a proximidade do Mar e do Pinhal do Rei, ali viria a inspirar-se para a escrita de alguns dos seus poemas.
            Aqui fica “O tojo”, poema inspirado na planta arbustiva espinhosa que, com frequência, cresce no Pinhal do Rei:



O tojo

No mato, assim, de rojo,
não sabe lisonjear…

É misantropo, o tojo.

 Dá flor; sabe florir,
- prova que sabe amar.

Somente, lá fingir
não sabe, nem mentir
para agradar.

Seus bicos ele enrista
no matagal marinho?
É certo: - e estão à vista.

As almas verdadeiras
não são como as roseiras:
a flor não esconde o espinho.
Lindo tojo silvestre:
fossemos nós assim!

Dás flor, e és rude. És mestre.

Cresce no meu jardim.

 
Afonso Lopes Vieira

terça-feira, 2 de abril de 2013

A localização de incêndios no Pinhal do Rei durante os Séculos XIX e XX

            A localização exacta de um incêndio nos pontos de vigia do Pinhal do Rei fazia-se, antigamente, através de uma luneta giratória em torno de um círculo graduado de 0 a 360 graus tendo, como orientação para 0º, o Ponto Cardeal, Norte.
            Depois de detectado o incêndio, o vigilante ao rodar a luneta na direcção do fogo obtinha, através de um ponteiro a ela acoplado e por leitura directa no círculo graduado, a orientação em graus, partindo do zero (Ponto Cardeal Norte). Posteriormente, numa carta da Mata, e partido da localização do ponto de vigia, era traçada uma linha segundo a orientação anteriormente encontrada. O mesmo era feito nos outros pontos de vigia. Da intercepção das linhas traçadas segundo as orientações obtidas em cada um dos pontos de vigia resultava a localização do incêndio, concretamente o talhão onde este lavrava.
            A existência de pontos de vigia estrategicamente localizados na Mata, a meio, a Norte, a Sul e até fora dela, como eram os casos do Ponto da Boavista e também do Ponto dos Outeiros em Vieira de Leiria, era fundamental neste processo.
            Estas lunetas foram instaladas nos pontos de vigia em 1898 pelo Administrador Eng.º José Lopes Vieira.
            Por ordem do Administrador Joaquim Ferreira Borges as comunicações eram já feitas por telefone desde o ano de 1887. O sistema funcionava entre a estação postal, a Administração Florestal e os próprios pontos.

A luneta e o telefone no ponto de vigia – anos 30 do Séc. XX



Luneta que esteve instalada nos Pontos de Vigia
Patente de 11 a 26 de Outubro de 2008 na exposição "700 ANOS DE FLORESTA – EXPOSIÇÃO FOTOGRÁFICA DO PINHAL DO REI", na Galeria Municipal da Marinha Grande – Edifício dos Arcos (Jardim Stephens)
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...