quarta-feira, 27 de março de 2013

Federação Portuguesa de Orientação no Pinhal do Rei

            Já por várias vezes aqui mostrei e falei da situação degradante em que se encontram algumas antigas Casas de Guarda do Pinhal do Rei e da oportunidade e benefício que, aquelas que ainda se encontram em razoável estado de conservação, trariam para algumas instituições que delas pudessem fazer uso.
            De facto, não tem sido vulgar a cedência dessas antigas Casas de Guarda, porém, alguns casos vão acontecendo. A boa notícia é-nos dada pelo jornal “Região de Leiria” e, embora seja já do conhecimento de muitos, parece-me oportuno voltar a divulgá-la, o que, por outro lado, considero uma forma de enaltecer o facto ali relatado.
            Assim, passo a transcrever na íntegra a notícia do jornal “Região de Leiria”, na sua edição on-line de 10 Março 2013, acerca da cedência de três antigas Casas de Guarda no Pinhal do Rei, em Pedreanes, à Federação Portuguesa de Orientação:
 
 
“Federação de Orientação adota Pinhal do Rei como casa
 
            Qualidade técnica inesgotável, área de treinos disponível 24 horas por dia, formação e alojamento garantidos a baixo custo e um sorriso na cara. Não está no paraíso, mas chegou ao céu da orientação. Mais concretamente ao Pinhal do Rei, na Marinha Grande.
            Desde abril de 2012 que a Federação Portuguesa de Orientação (FPO) se mudou de armas e bagagens para três antigas casas de guardas florestais em Pedreanes, na estrada que liga Marinha Grande a Vieira de Leiria, concentrando aí todos os serviços administrativos e um centro de estágio. “As casas eram uma ambição que remonta à década de 1990. Em finais de 2009 foi possível concretizar um contrato de comodato com a Autoridade Florestal Nacional e as casas passaram para a FPO”, explica Augusto Almeida, presidente da Federação.
            Usadas para estágios e formação de equipas e seleções nacionais desde 2011, as casas estão equipadas com bungalows, salas de reunião e cozinha, e têm um custo diário a rondar os cinco euros.
            Na deslocalização da sede pesou o facto da federação ficar num dos locais estratégicos para a prática da modalidade, em plena mata nacional, onde têm decorrido provas nacionais e internacionais nos últimos anos. “O Pinhal de Leiria pode considerar-se o ‘estádio nacional’ da orientação. É todo um espaço de enorme qualidade técnica, quase inesgotável, que permite diversificar os treinos sem necessidade de grandes deslocações”, justifica.”
 
Marina Guerra

 
 
As antigas Casas de Guarda cedidas à Federação Portuguesa de Orientação

quinta-feira, 21 de março de 2013

Dia Internacional das Florestas

            A Origem do Dia Internacional das Florestas remonta ao século XIX quando, no Nebrasca (EUA), em 1872, face à escassez de árvores e florestas e a consequente falta de material lenhoso, John Stirling Morton convenceu a população a dedicar um dia à plantação de árvores, tentando assim resolver o problema.
            A iniciativa passou a repetir-se todos os anos a 23 de Setembro, dia do nascimento de John Stirling Morton.
            Entretanto outros países se seguiram nesta iniciativa passando, em alguns deles, a haver a comemoração da efeméride, traduzida no aparecimento do Dia da Árvore ou Festa da Árvore, Inicialmente sem dia fixo no calendário.
            Em 1971, a FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura), dando seguimento a uma proposta da Confederação Europeia de Agricultores, e com o intuito de gerar uma maior sensibilização para a importância da floresta na manutenção da vida na Terra, criou o Dia Florestal Mundial passando, a partir de 1972, nos países do hemisfério Norte, incluindo Portugal, a comemorar-se o Dia Mundial da Floresta no dia 21 de Março de cada ano.
            Recentemente, a 30 de Novembro de 2012, por deliberação da Assembleia Geral das Nações Unidas foi aprovada uma resolução que declara o dia 21 de Março de cada ano como Dia Internacional das Florestas, por substituição ao Dia Mundial da Floresta.
            Em Portugal as comemorações dedicadas à Árvore e à Floresta iniciaram-se no princípio do século XX, por volta de 1907, com a realização anual de eventos a que foi dado o nome de “Festa da Árvore”, mantendo-se durante o período inicial da 1.ª República até 1917.
            Estas comemorações foram depois interrompidas durante o período do Estado Novo.
            Mais tarde, em 1970, no âmbito das comemorações do Ano Europeu da Conservação da Natureza, por proposta da então Direcção-Geral dos Serviços Florestais e Aquícolas e da Liga para a Protecção da Natureza, foi retomada a celebração oficial do “Dia da Árvore” em Portugal.
            Com a resolução da FAO em 1971, a partir de 1972, passou a comemorar-se anualmente a 21 de Março em Portugal o Dia Mundial da Floresta.
            Entretanto, com a deliberação da Assembleia Geral das Nações Unidas de Novembro de 2012, comemoramos, hoje, 21 de Março de 2013, pela primeira vez, o Dia Internacional das Florestas em Portugal.


Festa da Árvore em 1909
In: http://www.icnf.pt/portal/florestas/memoflo/culto-arvore-1a-republica
 
Festa da Árvore em 1913
In: http://www.icnf.pt/portal/florestas/memoflo/culto-arvore-1a-republica

quarta-feira, 20 de março de 2013

Dia Internacional da Felicidade

            A publicação do registo fotográfico deste alto-relevo do Rei D. Dinis e da Rainha Santa Isabel existente na Fonte da Ponte Nova no Pinhal do Rei foi a forma simples que encontrei de, sem querer escapar ao tema “Pinhal do Rei”, lembrar o Dia Internacional da Felicidade que se assinala hoje pela primeira vez.
            Felicidade para todos. 

 

segunda-feira, 18 de março de 2013

Um passeio no Aceiro Exterior do Pinhal do Rei

            Junto ao local da já desaparecida Casa de Guarda da Lagoa Cova, um dos lugares mais a Sul do Pinhal do Rei, perto da Burinhosa, deparei-me há poucos dias com a cena que aqui deixo reproduzida.
            A meio da tarde, alguém, montando o seu belo cavalo, dava o seu passeio no Aceiro Exterior do Pinhal do Rei.
            Na fotografia podemos ver, à direita do aceiro o Pinhal do Rei, à esquerda pinhais privados.

Passeando no Aceiro Exterior do Pinhal do Rei

sábado, 16 de março de 2013

João Maria Magalhães

            Nasceu a 8 de Outubro de 1835. Foi aluno do Colégio Militar e depois de ter concluído o curso de Infantaria foi promovido a alferes em 1852, com 17 anos. Por portaria de 26 de Setembro de 1860 foi designado para frequentar o curso completo de engenharia florestal na Escola Imperial Florestal de Nancy. Durante as férias estudou a prática do serviço e administração Florestal na grande floresta de Haguenau, e o sequeiro de sementes florestais das essências resinosas.
            Realizou estudos nos Alpes por conta do governo francês, sobre a forma de enfraquecer as torrentes e de evitar inundações. Visitou escolas na Alemanha e tomou conhecimento com o sistema de administração e prática florestal aplicado, e percorreu o golfo da Gasconha com vista a observar os trabalhos de fixação das dunas.
            Foi o primeiro engenheiro florestal nomeado Inspector de Florestas, em 1866. Em 1868 defendeu e projectou a arborização da serra de Monsanto e de outros espaços ao redor de Lisboa, mas que só veio a ser concretizado mais de 70 anos depois.
            Na sequência da reforma no regulamento dos serviços das Matas Nacionais, em 1872, ficou responsável pelos serviços técnicos, sendo nomeado chefe da Divisão do Centro (Marinha Grande). Colaborou no ordenamento do Pinhal de Leiria e no relatório sobre a resinagem do referido pinhal.
            Alcançou o posto de general de brigada em 1894. Foi vogal do Supremo Tribunal de Justiça Militar; Grande Oficial, Comendador e Cavaleiro da Ordem de Avis; Comendador da Ordem de Nossa Senhora da Conceição; Cavaleiro da Ordem de Cristo; Comendador da Ordem de Isabel a Católica, de Espanha; e Cavaleiro de 3ª Classe de Danebrog da Dinamarca.
            Faleceu a 26 de Março de 1896.
 
IN: http://www.afn.min-agricultura.pt/portal
 
Patente de 10 a 27 de Março de 2011 na exposição "Factos e Personalidades do Pinhal do Rei", na Galeria Municipal da Marinha Grande – Edifício dos Arcos (Jardim Stephens)

terça-feira, 12 de março de 2013

Dom Dinis - "O que vos nunca cuidei a dizer"

            Diz uma antiga expressão popular portuguesa que “D. Dinis fez tudo quanto quis.”
            Sendo sem dúvida um dos Reis mais importantes da História de Portugal, de facto, D. Dinis, cognominado o Lavrador pelo grande desenvolvimento que deu à agricultura e nomeadamente ao Pinhal de Leiria (Pinhal do Rei) introduzindo o pinheiro bravo como nova espécie, ficou também conhecido como o Rei-Poeta, devido à sua obra literária.
            Foi descoberto em 1990 nos arquivos da Torre do Tombo em Lisboa pelo pesquisador Harvey L. Sharrer da Universidade da Califórnia um antigo pergaminho medieval contendo partes de sete cantigas de amor atribuídas a Dom Dinis.
            Devido à deterioração do pergaminho, conhecido como “Pergaminho Sharrer”, as composições encontram-se fragmentadas e não mencionam autoria, porém, encontram-se também em colectâneas de poesia como o Cancioneiro da Biblioteca Nacional e o Cancioneiro da Vaticana, onde são atribuídas a D. Dinis.

Fonte: http://pt.wikipedia.org
 
Monumento ao Rei D. Dinis e à Rainha Santa Isabel na orla do Pinhal em S. Pedro de Moel

 
In: http://diniztiadeodivelas.blogspot.pt

sábado, 9 de março de 2013

O Aceiro do Fontes ou da Garcia

            Publicado na revista “O occidente: Revista illustrada de Portugal e do estrangeiro” em Dezembro de 1879, um pequeno artigo da autoria de Carlos Augusto de Sousa Pimentel, que viria a ser administrador do Pinhal de Leiria entre 1882 e 1886, dava conta da importância da abertura de aceiros no Pinhal do Rei e da necessidade de os manter limpos de matos e arvoredos para se evitarem os incêndios na Mata e os seus desastrosos efeitos.
           O artigo apresenta uma gravura baseada numa fotografia da época mostrando parte do aceiro do Fontes ou da Garcia (Aceiro K).




In: “O Occidente” nº 48 de 15 de Dezembro de 1879
© Hemeroteca Digital

terça-feira, 5 de março de 2013

Flores do Verde Pinho

            Era na casa de S. Pedro de Moel, sobranceira ao mar, que Afonso Lopes Vieira passava longas temporadas escrevendo os seus poemas.
            Dada a proximidade existente entre a casa e o Pinhal do Rei, a grande Mata, a “Catedral Verde e Sussurrante” como o Poeta viria a chamar-lhe, inspirá-lo-ia na escrita de alguns dos seus poemas.
            Aqui fica um exemplo:

Flores do Verde Pinho

Oh meu jardim de saudades,
verde catedral marinha,


e cuja reza caminha
pelas reboantes naves…
Ai flores do verde pinho,
dizei que novas sabedes
da minha alma, cujas sedes
a perderam no caminho?
Revejo-te e venho exangue,
acolhe-me com piedade,
longo jardim da saudade
que me puseste no sangue.
Ai flores do verde ramo,
dizei que novas sabedes
da minha alma, cujas sedes
a alongaram do que eu amo?
-A tua alma em mim existe
e anda no aroma das flores,
que te falam dos amores
de tudo o que é lindo e triste.
A tua alma, com carinho,
eu guardo-a e deito-a a cantar
das flores do verde pinho
àquelas ondas do mar.
            Afonso Lopes Vieira
Painel de azulejos na Casa Museu Afonso Lopes Vieira

Amália Rodrigues cantou “Flores do Verde Pinho”

sábado, 2 de março de 2013

Casa de Guarda da Sapinha (vestígios)

            Da antiga Casa de Guarda da Sapinha, hoje em dia, apenas podemos encontrar vestígios da sua existência.
            Situada poucos metros a Sudoeste da Casa de Guarda do Tromelgo, no seguimento da estrada florestal, junto ao Aceiro Exterior, esta antiga Casa de Guarda foi uma das primeiras quatro a serem construídas, por volta de 1790, quando, como medida de segurança e controlo de entradas e saídas do Pinhal, o Ministro da Marinha Martinho de Melo e Castro mandou abrir uma grande vala com 2 metros de profundidade e 1.5 metros de largura que circundava todo o Pinhal deixando apenas 4 passagens controladas por guardas, passando estes a viver com as suas famílias nessas casas.
            Neste local da Sapinha encontram-se vestígios de várias construções.
            Ladeada por dois grandes eucaliptos, uma velha casa em ruínas vai mantendo apenas uma parede levantada. De traçado rectangular, paredes grossas, duas ou três divisões, parecendo ser bastante antiga, vai mantendo a seu lado o poço e um tanque anexo.
            Segundo o que pude apurar junto de alguns profundos conhecedores daquele lugar acerca desta casa, foi unânime que esta serviu de residência a Manuel Domingues Brito, responsável pelo Viveiro Florestal do Tromelgo nos anos 50 do passado século, últimos anos da sua existência.
            Porém, pelo traçado e antiguidade que parece apresentar, estas ruínas podem corresponder à primitiva casa de guarda da Sapinha, substituída mais tarde pela que também já foi demolida.
            De facto, a poucos metros da antiga casa encontram-se os escombros amontoados do que, segundo me informaram, foi a nova Casa de Guarda da Sapinha. Terá sido demolida dado o estado de degradação que atingiu devido ao permanente vandalismo a que estava sujeita.
            A uma estreita rua que se inicia precisamente junto à antiga Casa de Guarda foi dado o nome de “Rua da Guarda da Sapinha” e ali perto existe também a “Travessa da Guarda da Sapinha”.
            O local e as casas ali construídas adquiriram o nome de uma pequena lagoa existente nas proximidades: a Lagoa da Sapinha, representada em todos os mapas do Pinhal do Rei, mesmo os mais antigos.




Ruínas da antiga Casa de Guarda da Sapinha

O poço e o tanque que pertenceram à Casa de Guarda da Sapinha

Escombros da nova Casa de Guarda da Sapinha

A Casa de Guarda da Sapinha dá o nome à rua que ali se inicia
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