quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Pedreanes e o escoamento de produtos do Pinhal do Rei

            Fazendo parte da Freguesia e Concelho da Marinha Grande, o lugar de Pedreanes situa-se à saída daquela cidade em direcção a Norte, e está integrado na área do Pinhal do Rei situando-se na sua fronteira Este, mais ou menos a meio do comprimento desta Mata.
            Pedreanes ganhou grande importância quando, em 1824, um grande incêndio destruiu uma imensa área florestal à volta de S. Pedro de Moel prejudicando as actividades do embarcadouro onde eram feitos os embarques de madeira e outros produtos do Pinhal do Rei.  Esta situação juntamente com os constantes desgastes provocados pelo avanço do mar levam D. João VI a determinar que o embarque de madeiras do Pinhal de Leiria se fizesse na Foz do Rio Lis. Para apoiar os embarques na Foz Lis foram construídas Tercenas naquele lugar e as Tercenas de S. Pedro de Moel foram, em 1871, mudadas para Pedreanes.
            Entretanto, dada a localização estratégica de Pedreanes, ali foi centralizada a chegada dos produtos do Pinhal, trazidos pelos carreiros em carros de tracção animal e posteriormente transportados para embarque na foz do Lis através do Caminho das Tábuas, assim chamado por aí se transportarem tábuas.
            Este caminho existiu desde 1840 e destinava-se a facilitar o trajecto entre Pedreanes e as Tercenas, na foz do Rio Lis. Mais tarde foi melhorado passando a ser constituído por varas dispostas longitudinalmente e assentes em estacas enterradas no solo, formando uma espécie de linha de caminho-de-ferro onde circulavam grandes carros puxados por bois e com cavas nas rodas para não descarrilarem. Sendo constituído por varas, passou a chamar-se Caminho das Varas.
            Por volta de 1857, o embarcadouro de S. Martinho do Porto voltou a ter grande importância para o escoamento dos produtos do Pinhal do Rei e, mais uma vez, a partir de Pedreanes, se construiu um caminho para facilitar o transporte entre estes dois locais. Tratou-se de mais um caminho com tracção animal e ficou conhecido por Caminho de Ferro Americano. Foi construído inicialmente com carris de madeira mas, em 1861, com a renovação ordenada pelo Ministro das Obras Públicas, o Duque de Loulé, estes foram substituídos por carris de ferro, importados juntamente com material rolante, o que permitiu um melhor deslize.
            Em 1885, com o início da construção da Linha de Caminho-de-Ferro do Oeste que aproveitou parte do traçado do Caminho de Ferro Americano e com a chegada, em 1888, à Marinha Grande, dos comboios a vapor, o Comboio Americano foi desactivado.
            O escoamento dos produtos do Pinhal do Rei passou a fazer-se pela Linha de Caminho-de-Ferro do Oeste sendo construída em 1888/1889 a Estrada da Estação (Av. 1º de Maio) que dava continuidade à Estrada do Engenho que, em 1867, foi a primeira estrada construída pelos Serviços Florestais e ligava o edifício da Administração a Pedreanes (Av. José Gregório), ficando deste modo feita a ligação entre Pedreanes e a estação dos caminhos-de-ferro.
            Mas o transporte por tracção animal era muito moroso e com a introdução, em 1923, de um pequeno comboio de via reduzida (60 cm) a vapor no Pinhal do Rei novamente se construiu um caminho específico para fazer o escoamento dos produtos do Pinhal, fazendo a ligação por caminho-de-ferro entre Pedreanes e a estação de caminho-de-ferro da Marinha Grande. Em 1965, com a rede de estradas bastante melhorada e já com bons transportes rodoviários, o comboio foi desactivado e deixou de circular, passando esta ligação a fazer-se por via rodoviária.
            Para os carreiros que do Pinhal do Rei retiravam produtos, quer fosse para uso próprio, quer fosse para venda, quer fossem pagos ou gratuitos, a saída do Pinhal implicava a passagem junto à Guarda de Pedreanes, onde se encontrava a tranqueira e onde era feito o controlo das carradas pelos guardas-florestais, não fossem os carreiros levar escondido no carrego algo não autorizado.
            Recorde-se que o Pinhal estava desde os tempos do Marquês de Pombal rodeado da Grande Vala, precisamente para obrigar à circulação por locais estratégicos junto das Casas de Guarda e tranqueiras, estabelecidas em 1857 pelo Administrador José de Melo Gouveia, para melhor ser feito o controlo de tudo o que entrava e saia do Pinhal.


Vestígios da Linha do Comboio Americano junto à Fábrica dos Vidros - Início do Séc. XX

Estação do caminho-de-ferro da M. Grande em 1918

Estação do Comboio Americano e Casa de Guarda - Pedreanes em 1937

Comboio de Lata e maquinista - Pedreanes em 1936

Controlo de carradas em Pedreanes - anos 50 do séc. XX



Estação do Comboio Americano em Pedreanes

Entrada da Estação do Comboio Americano em Pedreanes

2 comentários:

  1. Bom dia

    Deixo-lhe aqui os meus parabéns pelo seu excelente blogue, que sigo já há muito tempo.
    Sou professor numa das escolas da Marinha Grande e gostaria muito de falar consigo. Se possível, entre em contacto comigo através do e-mail pgrilos@gmail.com.

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  2. Parabéns pelo seu trabalho. Foi bom aqui ter passado via Folha Seca. Uma lufada de ar fresco (com cheiro a seiva e a camarinhas) na blogosfera marinhense.
    Bom ano e continuação de bom trabalho. Passarei a frequentador regular.

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