sábado, 28 de julho de 2012

Acácio Amaral

            Natural de Cinco Vilas, Figueira de Castelo Rodrigo, onde nasceu a 27 de Janeiro de 1916, Acácio Amaral formou-se em Engenharia Silvícola no Instituto Superior de Agronomia em 1939. Veio para a Marinha Grande em 1948, como adjunto da 3ª Circunscrição, sendo nomeado Chefe da Circunscrição Florestal da Marinha Grande em 1956, devido à ausência forçada (por doença) do seu antecessor. Foi vogal da IX Região Agrícola no Conselho Regional de Agricultura, por despacho de 23 de Outubro de 1958, e nesse ano integrou, como delegado, a Direcção Geral dos Serviços Florestais e Aquícolas na Comissão Nacional de Organização de Alimentação e Agricultura das Nações Unidas – FAO.
            Com uma visão pragmática sobre os problemas do Pinhal, Acácio Amaral introduziu novos sistemas administrativos, modificou técnicas de exploração, com vista a acabar com tudo o que era supérfluo para a economia da Mata. Como resultado destas medidas, o rendimento das Matas passou de 14 579 contos em 1970 para 61 590 contos em 1979.
            Procurou instituir uma silvicultura moderna, com vista à obtenção de árvores produtoras de melhor madeira e aumento de produção por unidade de superfície.
            A primeira intervenção de relevo foi a construção de estradas florestais na década de 50, com vista a facilitar a circulação de viaturas na Mata e o acesso a todos os talhões. De 1950 a 1963 projectou e acompanhou a construção de 75km de estradas florestais asfaltadas, e o melhoramento de 40km de estradas construídas na primeira metade do século. Tal reflectiu-se num maior conhecimento dos produtos do Pinhal, na sua valorização e, consequentemente, no aumento da procura.
            Nos anos 60 definiu novas regras de intervenção nos cortes culturais, aumentando os desbastes e substituindo povoamentos envelhecidos que contribuíam para a desvalorização da madeira. Em 1970 foi o impulsionador do inventário florestal. Para tal foram instaladas provas de amostragem permanentes no Pinhal, com medições de 5 em 5 anos, com vista ao conhecimento do material lenhoso, seu crescimento e dimensão dos produtos, bem como a gestão das intervenções culturais realizadas e que, a partir daí acompanhadas e registadas de modo preciso. Foi aliás sob a direcção de Acácio Amaral que passou a ser obrigatório o registo de todas as intervenções no Pinhal. Tal resultaria na existência de um conjunto de dados valiosos para a gestão da Mata e para o estudo do pinheiro bravo.
            A elaboração de tabelas de volume para o pinheiro bravo foi outra iniciativa da sua autoria que veio permitir uma avaliação mais precisa do volume dos povoamentos. Estas tabelas adquiriram tal importância que algumas foram utilizadas para cubicagens de arvoredo em todo o país.
            Em 1980 foi sob sua direcção elaborado um novo Ordenamento, assente em novos princípios de gestão e objectivos, em que se passou a considerar a Mata como um todo, terminando com a divisão em séries de pequenas dimensões. Além disso, foi ainda elaborado um plano de exploração por decénios, para uma revolução de 93 anos, sujeito a revisões periódicas.
            Se algumas das obras que implementou mereceram elogios - como a construção e renovação de vários quilómetros de estradas florestais, a desagregação da surraipa, a montagem de uma serração mecânica em Pedreanes e a construção de várias residências para os trabalhadores florestais – outras decisões foram alvo de contestação. Incluem-se os cortes rasos que desnudaram algumas zonas do Pinhal, a venda do comboio de lata, bem como a decisão de mandar retirar as mesas em algumas zonas aprazíveis como Tromelgo, Árvores ou Valdimeira, votando-as ao abandono. No entanto foi indiscutivelmente um trabalhador incansável, cuja contribuição para a gestão florestal de um modo geral, e do Pinhal de Leiria em particular, foi decisiva e marcante, sendo o seu desempenho reconhecido superiormente pelos votos de louvor que recebeu em 1971 e em 1986.
            Aposentou-se em 1 de Setembro de 1986, após 38 anos ao serviço da Circunscrição Florestal.

In: http://www.afn.min-agricultura.pt/portal

Patente de 10 a 27 de Março de 2011 na exposição "Factos e Personalidades do Pinhal do Rei", na Galeria Municipal da Marinha Grande – Edifício dos Arcos (Jardim Stephens)

domingo, 22 de julho de 2012

Mapa de 1940 do Pinhal do Rei

            Este Mapa do Pinhal do Rei (Pinhal de Leiria) desenhado em 1940 por Luís Filipe dá-nos preciosas informações do que era naquele tempo o nosso Pinhal. Os limites do Pinhal e a configuração da sua fronteira estão aqui bem demarcados pelo aceiro exterior, bem como a divisão da sua área em 342 talhões, consequência da abertura de aceiros e arrifes, todos eles bem assinalados.
            Ao nível de edifícios e outras construções, este mapa mostra-nos a localização das Tercenas, dos edifícios da 14.ª e 15.ª Administrações Florestais e da 3.ª Circunscrição Florestal, bem como a localização e identificação de todas as Casas de Guarda e Pontos de Vigia, e ainda os poços e as fontes, também, em grande parte, identificados. Mostra-nos também a rede de comunicação telefónica entre as Casas da Guarda e dos Postos de Vigia, as linhas de água, e ainda o traçado fixo do antigo caminho ferroviário do Comboio de Lata.
            Dá-nos ainda a conhecer, localizando-as e identificando-as, as árvores notáveis existentes naquela época.
            Sobre este mapa, actualmente, podemos ainda dizer que, em parte, se encontra perfeitamente actual, pois são muitas as infraestruturas por ele assinaladas que ainda subsistem no nosso Pinhal do Rei, mas, ao mesmo tempo e, por outro lado, nos dias de hoje, temos de ter a noção que, por duas razões, se encontra desactualizado. Em primeiro lugar teremos de ter em atenção que, à data em que se fez este mapa, não existiam determinadas infraestruturas que hoje existem, como por exemplo: a nova rede viária construída depois de 1940, alguns dos novos bairros florestais, a etar e os parques de campismo de São Pedro de Moel, o reservatório de água no Alto dos Picotos, etc. Em segundo lugar teremos também de ter em atenção que muitas das infraestruturas apresentadas neste mapa já hoje não existem, tais como: Casas de Guarda entretanto desaparecidas, as Tercenas em Vieira de Leiria, poços, fontes, linhas telefónicas, rede ferroviária do antigo comboio de lata e ainda as árvores notáveis assinaladas, também elas já desaparecidas.


Mapa de 1940 do Pinhal do Rei

sexta-feira, 13 de julho de 2012

O regresso do Comboio de Lata

            “O regresso do Comboio de Lata”, como título desta mensagem, bem poderia na realidade estar relacionado com a recuperação do antigo Comboio de Lata e o seu regresso à circulação no Pinhal do Rei, transportando a população marinhense e turistas que nos visitassem, em direcção às nossas praias ou em passeios pelo Pinhal, dando a conhecer a grandiosidade e a beleza da nossa Mata.
            De regresso estaria este pequeno comboio histórico, a vapor, que tanto contribuiu para a desenvolvimento do Pinhal do Rei e que, quando deixou de ser necessário, se pôs de parte e se entregou o seu destino, às mãos do sucateiro.
            De regresso estariam também os passeios em dias festivos, como a Quinta-Feira de Ascensão ou o Primeiro de Maio, à semelhança de outros tempos em que o comboio era cedido à população para passeios na Mata ou idas à praia.
            Porém nada disto é real, pelo menos por cá…
            A maioria dos marinhenses desconhecem, em parte, o sucedido ao nosso comboio, a partir do momento em que ele desapareceu do nosso Pinhal. Sabemos que, em 1967, todo o conjunto que compunha o Comboio de Lata, máquinas, carruagens e carris, foi vendido em hasta pública, para sucata, à porta da Repartição de Finanças.
            Uma das três máquinas e uma carruagem de passageiros foram adquiridos pela Câmara Municipal e em 1974 foram colocados em S. Pedro de Moel, pretendendo-se mostrar ou apenas recordar, o que tinha sido o célebre “Comboio de Lata”.
            Mas, sem a adequada protecção, o comboio foi alvo de vandalismo e, em poucos anos, era já avançado o seu estado de degradação.
            Em 1996, por iniciativa da Junta de Freguesia da Marinha Grande, a locomotiva foi retirada de S. Pedro de Moel e exposta na Feira de Artesanato e Gastronomia na Marinha Grande e, em 1997, a mesma Junta promoveu um pequeno restauro da velha locomotiva.
            Em 2011, em mais uma edição da Feira de Artesanato e Gastronomia da Marinha Grande, a Junta de Freguesia voltou novamente a expor a velha locomotiva.
            Mas, então, o que foi feito das outras duas locomotivas?
            Conheci recentemente, Carlos Gomes, um jovem marinhense, profundo conhecedor e entusiasta da ferrovia, que, do muito que tem pesquisado, muito nos tem a dizer acerca do nosso Comboio de Lata. É com o seu contributo e também socorrendo-me de dados retirados da Internet, em http://www.oldkilnlightrailway.com/elouise.php, que passo a relatar o seguinte:
            Das três locomotivas, duas estavam assinaladas com placas, alusivas à sua propriedade em favor das Matas Nacionais, com os dizeres “MNN1” e “MNN2”, o que queria dizer “Matas Nacionais Nº 1” e “Matas Nacionais Nº 2”, sendo que, a terceira, a que ainda hoje está na Marinha Grande, não tinha qualquer indicação (que se saiba).
            Recorde-se que todo o comboio veio para Portugal como forma de pagamento de indemnizações por danos de guerra, a que a Alemanha, perdedora da Guerra 1914/18, tinha sido obrigada a pagar aos países vencedores.
              Sobre a locomotiva designada como “MNN2”, da qual durante muitos anos se desconheceu o paradeiro, sabe-se hoje que se encontra ainda em Portugal numa quinta de organização de eventos, onde, em pedestal, vai servindo de ornamentação exterior.
            Quanto à locomotiva “MNN1”, construída em 1922 pela Orenstein and Koppel of Berlin, depois de vendido todo o conjunto, acabou por ser exposta como atracção turística no exterior de um café em Cascais.
            Em 1969/70, foi vendida para a Inglaterra, onde, após várias mudanças de propriedade, acabou como sucata de um ferro velho.
            Por volta de 1984 foi adquirida por um antiquário de material ferroviário, foi restaurada e logo entrou de novo ao serviço, mas, problemas na caldeira levaram a que, posteriormente,  fosse retirada.
            Em 1996, depois de reparada, a “MNN1” voltou a circular sendo usada alguns domingos de Verão e fins-de-semana de eventos especiais numa quinta de turismo rural em Inglaterra.
            E dito isto, por fim, é caso para dizer que o Comboio de Lata está de regresso, ou pelo menos uma parte dele, só é pena que não seja no nosso Pinhal do Rei, mas sim, geograficamente, tão distante.
            Ainda segundo Carlos Gomes, faz este ano 90 anos, que a “MNN1” das Matas Nacionais foi construída e, para assinalar o seu aniversário, vão realizar-se durante o mês de Julho algumas actividades na Quinta rural em Inglaterra, em que a estrela será a locomotiva “MNN1”. Os ingleses chamam-lhe agora Elouise.
             E daqui, à distância, eu e julgo que todos os marinhenses que a vimos circular no nosso Pinhal do Rei, dir-lhe-emos: Happy Birthday Eloise.


 A “MNN1” à entrada da Guarda Nova nos anos 20 do Séc. XX.
(Foto gentilmente cedida por Carlos Gomes) 

A “MNN1” exposta no exterior de um café em Cascais nos anos 60 do Séc XX.
In: http://www.oldkilnlightrailway.com/elouise.php

A “MNN1” em 1984 à chegada a um antiquário em Inglaterra.
In: http://www.oldkilnlightrailway.com/elouise.php

A “MNN1” antes de 1996 (ainda como foi de Portugal) em Inglaterra.
In: http://www.oldkilnlightrailway.com/archive-pictures.php

A “MNN1” antes de 1996 (ainda como foi de Portugal) em Inglaterra.
In: http://www.oldkilnlightrailway.com/archive-pictures.php

A “MNN1” antes de 1996 (ainda como foi de Portugal) em Inglaterra.
In: http://www.oldkilnlightrailway.com/archive-pictures.php

Transporte da “MNN1”para Porthmadoc em 1996.
In: http://www.oldkilnlightrailway.com/elouise.php

A “MNN1” no Leighton Buzzard railway em 1996.
In: http://www.oldkilnlightrailway.com/elouise.php

A “MNN1” no Leighton Buzzard railway.
In: http://www.oldkilnlightrailway.com/elouise.php

A “MNN1” no Leighton Buzzard railway.
In: http://www.oldkilnlightrailway.com/elouise.php

A “MNN1” no Leighton Buzzard railway em Julho de 2012 com placa alusiva à comemoração dos seus 90 anos após o fabrico .
In: http://www.oldkilnlightrailway.com/elouise.php


segunda-feira, 9 de julho de 2012

O Pinheiro H

             Este notável pinheiro bravo existiu no talhão 268, perto da Praia Velha.
            O seu provável nascimento deficiente transformou-o num perfeito H, no entanto, desconhece-se, em concreto, a causa que levou a esta estranha ligação, aparentemente, entre dois indivíduos.
            Depois de o talhão onde estava inserido ter sido sujeito a corte raso em 1975, por ter atingido a idade ideal, e se ter poupado ao corte este estranho exemplar, veio o mesmo a ter que ser derrubado anos mais tarde, por ter apanhado moléstia, devido aos ventos marítimos a que ficou sujeito após o seu isolamento.
            Tal como outras árvores notáveis da época, estava assinalado como tal no mapa de 1940 e era um ponto de interesse a visitar no Pinhal do Rei, pela curiosidade que despertava.
            Era conhecido como “O Pinheiro H”.

Fonte: http://augustomota.multiply.com

Pormenor do mapa de 1940 mostrando a localização do Pinheiro H
In:http://augustomota.multiply.com/photos/album/41/41


O Pinheiro H em 1975
Fotografias de Augusto Mota, em 1975, e publicadas em: http://augustomota.multiply.com/photos/album/41/41

domingo, 1 de julho de 2012

Petróleo no Pinhal do Rei

            Do subsolo do Pinhal do Rei, de enorme riqueza, foram em tempos retirados inúmeros produtos, chegando inclusivamente, em 1960, a ser prospectado petróleo, tendo-se feito perfurações e estudos no Pinhal, mais propriamente no talhão 258, próximo da ponte do Ribeiro de S. Pedro de Moel. Aparentemente sem grandes resultados, os furos foram fechados e protegidos por forte placa de cimento.
            Ainda hoje se pode visitar o local.



Placa de cimento no talhão 258 onde, em 1960, chegou a ser prospectado petróleo
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