domingo, 29 de abril de 2012

Casa de Guarda da Garcia

            Quem nos dias de hoje circular nas estradas florestais do Pinhal do Rei, facilmente se apercebe do estado de total abandono, ou mesmo ruína, em que se encontram as antigas Casas de Guarda. Algumas delas desapareceram já completamente, destruídas intencionalmente por razões que desconheço mas que, porventura, digo eu, me parece que poderiam ter tido outro fim. Para outras, a grande maioria das que ainda estão de pé, a sua recuperação é já praticamente impossível dado o seu avançado estado de degradação.
            No entanto, existem ainda algumas que, por estarem localizadas perto de centros habitacionais, julgo ainda ser possível a sua recuperação, dando-lhes uma futura ocupação e aproveitamento em prol das populações, por exemplo: a sua utilização por associações ou instituições ou até para turismo, à semelhança do que já existe em muitos locais do nosso País.
            Na Guarda Nova, por exemplo, a Casa de Guarda está a ser utilizada pela Associação de Paraquedistas de Pinhal Rei, sendo, julgo eu, um exemplo que poderia ser usado noutras Guardas .
            Dentro deste leque está também a Casa de Guarda da Garcia, ainda em razoável estado de conservação mas que, com a porta já arrombada, se algo não se fizer entretanto, terá o mesmo destino de outras, a vandalização e a sua destruição total. Junto desta está ainda uma construção, mais antiga, cujo estado é já bem pior e que, sem ter a certeza, mas pela tipologia apresentada, parece ser uma antiga Guarda deste local, datada do início do século XX, conforme se pode ver na mensagem aqui já publicada “Os Guardas-Florestais e as Casas de Guarda”, e que, pode muito bem ser o ultimo exemplar desta época, dado que não conheço outro.




Casa de Guarda da Garcia

Nas traseiras da Casa de Guarda da Garcia, esta construção pode ser uma antiga Casa de Guarda, datada do início do século XX

sábado, 21 de abril de 2012

Localização e limites

           O Pinhal do Rei está localizado no concelho da Marinha Grande, de cuja superfície ocupa cerca de dois terços.   
            Os limites da Grande Mata começam junto à foz do rio Liz estendendo-se pela faixa litoral em direcção a Sul, até Água de Madeiros; daí para Este, em direcção ao interior, até à Guarda da Lagoa Cova; depois para Norte, até Vieira de Leiria; e depois para Oeste ao longo do rio Liz, até à sua foz.
            Em 1597, no reinado de Filipe I, os limites do Pinhal foram definidos e este demarcado com a colocação de marcos à sua volta. No entanto, só por volta do ano 1867, depois do levantamento feito por Bernardino Barros Gomes, se definiram concretamente os limites do Pinhal, que se mantiveram com poucas alterações até cerca de 1920.
            A partir do ano 1920, os limites foram sendo alterados com a cedência ao concelho da Marinha Grande de parcelas de terreno imprescindíveis para o seu desenvolvimento.


domingo, 15 de abril de 2012

João de Almeida Eliseu e Manuel de Carvalho Paulino

João de Almeida Eliseu

            Engenheiro Silvicultor, formado pelo Instituto Superior de Agronomia em Lisboa, nasceu a 5 de Outubro de 1928. Colaborou no Plano de Fomento Agrário a partir de Agosto de 1952 e em Maio de 1955 foi contratado para desempenhar funções no Gabinete de Estudos e Obras de Correcção Torrencial, integrado na Direcção Geral dos Serviços Florestais e Aquícolas, e cuja sede era em Leiria. Em Janeiro de 1969 passou a chefiar este serviço.
            Dez anos depois, em Agosto de 1979, iniciou a sua actividade como director da Sub-Região Agrária de Tomar, integrada na Direcção Geral de Agricultura do Ribatejo e Oeste, que abrangia as Zonas Agrárias de Leiria, Tomar e Abrantes.
            Em Fevereiro de 1986 foi nomeado chefe da Circunscrição Florestal da Marinha Grande.
           Foi membro efectivo do Conselho Regional Agrário em 1988 e, no ano seguinte, representante efectivo da Direcção Geral das Florestas para a Comissão de Acompanhamento do Plano Director Municipal de Leiria.
            A sua acção centrou-se na salvaguarda do património Florestal através da aplicação de processos tecnicamente mais recomendados, numa dupla perspectiva de conservação dos recursos e de rentabilidade económica. Tal revelou excelente capacidade de gestão e elevados conhecimentos técnicos, aliados a um acentuado bom senso, o que lhe mereceu um louvor em 1992, ano em que se aposentou, a 1 de Dezembro.
            É autor do “Projecto de ordenamento das matas da bacia hidrográfica do rio Lis”, de 1953, e co-autor dos trabalhos “Erosão e gestão do solo: reflexões sobre o caso português” de 1990; “Regime silvo-pastoril: correcção torrencial”, dos anos 60.
           Reside actualmente em Leiria.

Manuel de Carvalho Paulino

            Nasceu a 14 de Março de 1936, tendo completado o curso de Regente Agrícola em 7 de Maio de 1957. Contratado para exercer as funções de Regente Florestal de 3ª Classe, foi colocado na 3ª Repartição Técnica. Em 1965 entrou para a Circunscrição Florestal da Marinha Grande e cerca de 10 anos depois foi nomeado Administrador Florestal do Engenho, cargo que exerceu até 2 de Abril de 1993, data em que foi extinta a referida Administração Florestal.
            Responsável pela gestão dos recursos disponíveis procurou sempre aplicá-los em benefício do Pinhal, coordenando com rigor todos os trabalhos efectuados. Muito metódico e cumpridor das suas responsabilidades, Manuel Paulino foi um profissional dedicado, incansável e permanentemente disponível, cuja afabilidade e compreensão para com os funcionários que de si dependiam lhe granjearam a estima e consideração de quantos com ele lidaram. Qualidades que mereceram um testemunho público de louvor aquando da sua passagem à aposentação, em Janeiro de 1997, após 31 anos ao serviço da Circunscrição Florestal da Marinha Grande.
            Vive actualmente em Vieira de Leiria.


IN: http://www.afn.min-agricultura.pt/portal

Patente de 10 a 27 de Março de 2011 na exposição "Factos e Personalidades do Pinhal do Rei", na Galeria Municipal da Marinha Grande – Edifício dos Arcos (Jardim Stephens)

sábado, 7 de abril de 2012

Os Guardas-florestais e o fim da classe

            Apesar das excepcionais qualidades de trabalho que ao guardas-florestais sempre foram exigidas, e da conduta exemplar que desde sempre mantêm no rigoroso desempenho das missões para que são solicitados, esta classe foi em tempos sacrificada, tendo ordenados muito baixos.
            Em 1928, para amenizar a situação de vivência dos guardas, organizaram eles próprios, com a ajuda e incentivo do então Administrador da Circunscrição Florestal, Eng.º António Arala Pinto, o seu Grémio Florestal.
            Este Grémio funcionou no Parque Florestal do Engenho em instalações cedidas pelos Serviços Florestais, sendo criadas as seguintes obras de carácter social: um grande salão para festas e convívio, uma pequena Biblioteca com serviços de direcção e secretaria, uma Cooperativa de Consumo onde podiam ser adquiridos produtos de mercearia e vestuário a preços mais vantajosos e ainda uma Lutuosa que, em caso de morte de um guarda, pudesse monetariamente ajudar a família enlutada nas despesas com o funeral.
              A situação económica e social dos guardas-florestais melhorou nos últimos anos do século XX.
             Em 1980, segundo o Ordenamento Florestal, o Corpo de guardas florestais era composto por 4 mestres e 29 guardas. Por essa altura, todos os guardas e mestres, assim como a maioria do pessoal especializado, viviam em casas construídas pelos Serviços Florestais em zonas perto das povoações, tendo sido progressivamente abandonadas as antigas casas de guarda no interior do Pinhal.
            Actualmente, não há guardas florestais. Eles foram integrados em 2006 no Serviço da Protecção da Natureza e do Ambiente (SEPNA) da GNR.

Edifício do antigo Grémio Florestal no Parque Florestal do Engenho

Bairro Florestal de Pedreanes - anos 50 do séc. XX
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