sábado, 31 de março de 2012

Os Guardas-Florestais e as tranqueiras

           Em 1857, o Administrador José de Melo Gouveia proibiu, dentro do Pinhal, a circulação de veículos depois do Sol-posto. Para isso mandou colocar tranqueiras (vigas de madeira fechadas a cadeado) em todas as passagens, colocadas pelos guardas ao Pôr-do-Sol e só retiradas ao nascer do dia seguinte.
           De 1920 a 1940, sempre com a população a aumentar, foram abertas novas passagens e construídas novas casas de guarda: Praia da Vieira, Calvos, Formosa, Pilado, Gaeiras, Portela, Rio Tinto, Tromelgo, S. Pedro de Moel, etc.
           Em 1940 existiam 30 casas de guarda.
           Em 1926, a jurisdição das praias de S. Pedro de Moel e da Vieira passou para a Câmara Municipal da Marinha Grande. Foi por isso retirada a tranqueira da Guarda Nova, permitindo a passagem de veículos tanto de dia como de noite mantendo-se, no entanto, a proibição de saída de quaisquer produtos do Pinhal depois do Sol-posto. Em 1969 foi retirada a tranqueira de Água Formosa e, mais tarde, numa evolução natural, as tranqueiras foram sendo eliminadas, tendo sido retiradas definitivamente em 1975 com a liberalização do trânsito dentro do Pinhal.

 
Controlo de carradas à saída do Pinhal em Pedreanes - anos 50 do séc. XX

domingo, 25 de março de 2012

Os Guardas-Florestais e as Casas de Guarda

            O Regulamento de 1790 abandonava a designação de couteiros para quem até aí tinha guardado o Pinhal, passando então a falar-se em guardas florestais, estabelecendo também que esses guardas vivessem em locais junto do Pinhal. Estes, passaram a viver com as suas famílias em casas construídas nesses locais (as casas de guarda). As primeiras 4 casas de guarda foram: Caminhos de Carvide, Cova do Lobo, Pedreanes e Sapinha.
            Com o aumento das populações à volta do Pinhal, mais passagens e mais casas de guarda iam sendo criadas.
         Em 1843 o número de casas de guarda ia em 12 e em 1898 estas eram já 20.
           De início estas casas possuíam apenas 2 divisões, sendo substituídas posteriormente por outras com 4 divisões.
            Cerca dos anos 30 do séc. XX, estas casas foram substituídas por habitações mais confortáveis, tendo em anexo uma pequena casa para cómodos.
           Em 1838, os guardas passaram a usar armas de fogo fornecidas pelo exército.

Tipologia das primeiras casas de guarda

Tipologia das casas de guarda - início do séc. XX

Tipologia das casas de guarda - cerca de 1940

sexta-feira, 16 de março de 2012

O Pombal do Rei

             Situado no Talhão 281 do Pinhal do Rei (Mata Nacional de Leiria), o Pombal do Rei é uma ruína do que, em jeito de lenda, se diz ter sido um abrigo dos pombos reais, introduzidos no Pinhal do Rei no tempo de D. Dinis.
            No entanto, dizem alguns que, documentos antigos referem a existência de um posto de vigia naquela localização, vindo mais tarde a ser substituído por uma nova infra-estrutura, o Ponto Novo.
            Por outro lado, a existência de nichos no interior da construção leva a consolidar a ideia de pombal havendo a hipótese de ter servido de pombal quando, em 1936, se tentou repovoar o Pinhal com várias espécies de aves, incluindo o pombo bravo.





sábado, 10 de março de 2012

A origem

            A origem do Pinhal do Rei perde-se na vastidão dos tempos, no entanto, sabe-se que, mesmo antes da fundação de Portugal, já aqui existia algum tipo de mata, provavelmente restos de vegetação espontânea, entre a qual o pinheiro manso.
           D. Dinis interessa-se particularmente pelo Pinhal tendo como objectivos principais segurar as areias que os ventos arrastavam para as terras do interior, prejudicando a agricultura, e a obtenção de madeira para desenvolvimento futuro da construção de barcos para uso no comércio marítimo e pescas.
           De alguma maneira, D. Dinis, tendo conhecimento de uma espécie de pinheiro existente em França, com maior altura e melhor aprumo, o que lhe garantia melhor madeira para desenvolvimento da indústria naval, de lá mandou vir sementes dessa espécie para implementar a sua plantação no Pinhal Real.


Monumento ao Rei D. Dinis e à Rainha Santa Isabel em S. Pedro de Moel

domingo, 4 de março de 2012

A exposição "Factos e Personalidades do Pinhal do Rei"

            Com mais de sete séculos de existência, o Pinhal do Rei representa mais que uma mancha florestal junto à costa litoral portuguesa. Está na base da fundação e desenvolvimento de uma região e da sua transformação em grande centro industrial.
            A sua origem remonta a épocas anteriores à fundação de Portugal, em que este território possuía apenas vegetação espontânea e pinheiro manso. No reinado de D. Dinis (1261-1325) foram encetados os primeiros esforços de arborização, através da sementeira de pinheiro bravo, para fixar as areias das dunas da costa e assim proteger os campos aráveis que permitiriam o desenvolvimento da agricultura, da floresta e dos recursos cinegéticos. Com D. Dinis surgiu a primeira administração para gerir as “Matas da Coroa”. Era o início da longa e profícua história florestal portuguesa.
            A construção naval, essencial às viagens marítimas e aos descobrimentos, recebeu do Pinhal do Rei um enorme contributo através do fornecimento de madeira e de produtos resinosos. Tal fomentou a fixação dos primeiros povoados de lenhadores, serradores e carreiros, origem de lugares que ainda hoje existem no concelho da Marinha Grande.
            A reestruturação e regulamentação dos serviços da Administração das Matas, em meados do séc. XVIII, constituíram um forte impulso para o desenvolvimento do Pinhal, cujos recursos naturais assumiam grande importância no aparecimento e crescimento de outras indústrias na região – como a do vidro, dos produtos resinosos, da serração, da metalurgia, das limas, entre outras. Foi porém no séc. XIX que se assistiu a intervenções preponderantes no pinhal, marcantes não apenas para a história do Pinhal do Rei mas para a história da floresta portuguesa. Foram elaborados e implementados os primeiros planos de ordenamento florestal, desenvolvidos importantes estudos botânicos e florestais, definidos planos de prevenção e combate a fogos, construídas estradas, caminhos-de-ferro, postos de vigia, bairros florestais, serrações, acções e decisões tomadas por técnicos, cujos percursos de vida aqui são relevados, que durante os dois séculos de existência da Administração das Matas se dedicaram em transformar o Pinhal do Rei num exemplo de ordenamento e exploração dos mais importantes do país.
            Mas restringir o papel que o Pinhal do Rei desempenhou somente ao domínio técnico florestal seria limitar a sua importância histórica. Tal como os pinheiros serpentes, espécie exclusiva desta zona litoral, este “pequeníssimo fragmento do humilde planeta”, nas palavras de Arala Pinto, contém um entrelaçar de vidas enraizadas na dedicação à floresta e que por ela se sacrificaram – desde administradores das matas, passando por tesoureiros, carpinteiros, serradores, carreiros sem nunca esquecer o corpo de guardas florestais que protegiam o Pinhal, colocando em risco a sua própria vida.
            É a esta “catedral verde e sussurrante” amada por Afonso Lopes Vieira e evocada por muitos autores, que se presta homenagem, numa iniciativa organizada pela Câmara Municipal da Marinha Grande em parceria com a Autoridade Florestal Nacional, integrada nas comemorações do Ano Internacional das Florestas.
            A Câmara Municipal da Marinha Grande agradece a todos quanto contribuíram para a concretização deste projecto, em especial ao Engenheiro José Neiva pelo seu apoio técnico e científico, bem como pelo empréstimo de bens da sua colecção particular; à D. Helena Maria dos Santos Casaleiro pelo empréstimo do fato de Guarda Florestal; e ao Sr.Barreiro, pelo empréstimo do manequim.

IN: http://www.afn.min-agricultura.pt/portal

Patente de 10 a 27 de Março de 2011 na exposição "Factos e Personalidades do Pinhal do Rei", na Galeria Municipal da Marinha Grande – Edifício dos Arcos (Jardim Stephens)

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