terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Actividades de sequeiro no Pinhal do Rei

            Essencialmente, esta actividade consistia na recolha do penisco  (semente do pinheiro-bravo) para futuras sementeiras ou comercialização.
            As pinhas verdes provenientes de cortes finais feitos na Mata no ano anterior eram colocadas nas eiras em dias de Sol bastante forte para que pudessem abrir. Depois de estarem bem secas e abertas, trabalhadoras dos Serviços Florestais iam batendo as pinhas umas nas outras até que todo o penisco ficasse fora das pinhas e pudesse ser recolhido.
            O penisco era colocado em sacos e transportado em carros de madeira manuais para armazéns de onde depois seguia para o seu destino final.
            As pinhas secas eram depois vendidas à população.
            Estas actividades de sequeiro foram praticamente extintas a partir de meados dos anos 70 do século XX. No entanto, todos os anos se continuam a ver pinhas nas eiras, embora, em quantidades insignificantes.

Descarregar as pinhas verdes - anos 50 do séc. XX

Bater as pinhas para extrair o penisco - anos 50 do séc. XX

Separação do penisco das pinhas já secas - anos 50 do séc. XX

 

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Árvores de interesse público do concelho da Marinha Grande

            A existência de duas grandes matas nacionais no concelho da Marinha Grande, o Pinhal do Rei (Mata Nacional de Leiria) e a Mata Nacional do Casal da Lebre, leva-nos, consequentemente, a que, no nosso concelho, haja uma grande quantidade de árvores classificadas como “árvores de interesse público”.
            A contribuir em grande parte para esse facto, encontra-se o Pinhal do Rei cuja área ocupa cerca de 2/3 do concelho da Marinha Grande. Além da quantidade e diversidade, é de referir também a longevidade de algumas destas árvores, com exemplares a ultrapassarem já a idade de 200 anos.
            Fora destes dois perímetros florestais, também classificado como árvore de interesse público, existe ainda na Marinha Grande, na Escola Básica do 2º e 3º Ciclos - Guilherme Stephens, um sobreiro com uma idade aproximada de 100 anos.
            A listagem abaixo descreve a totalidade das árvores de interesse público do concelho da Marinha Grande.

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Lugar: Mata Nacional de Leiria - Talhões 246 e 247 B
Nome científico: Eucalyptus globulus Labillardière
Nome vulgar: Eucalipto
Descrição: Em maciço
Idade aproximada:
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Lugar: Mata Nacional de Leiria - Talhão 144, parcela B
Nome científico: Myrica faya Aiton
Nome vulgar: Samouco ou faia-da-terra
Descrição: Árvore isolada
Idade aproximada: 100
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Lugar: Mata Nacional de Leiria - Talhão 289 B
Nome científico: Eucalyptus globulus Labillardière
Nome vulgar: Eucalipto
Descrição: Árvore isolada
Idade aproximada: 100
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Lugar: Mata Nacional de Leiria - Talhão 154
Nome científico: Pinus pinaster Aiton
Nome vulgar: Pinheiro-bravo
Descrição: Árvore isolada
Idade aproximada: 175
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Lugar: Mata Nacional de Leiria - Talhão 274
Nome científico: Pinus pinaster Aiton
Nome vulgar: Pinheiro-bravo
Descrição: Árvore isolada
Idade aproximada: 170
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Lugar: Marinha Grande - Escola Básica  2º e 3º Ciclos de Guilherme Stephens
Nome científico: Quercus suber L.
Nome vulgar: Sobreiro
Descrição: Árvore isolada
Idade aproximada: 100
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Lugar: Mata Nacional do Casal da Lebre - Talhão 11
Nome científico: Pinus pinea L.
Nome vulgar: Pinheiro-manso
Descrição: Árvore isolada
Idade aproximada: 100
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Lugar: Mata Nacional de Leiria - Talhão 273, parcela A
Nome científico: Pinus pinaster Aiton
Nome vulgar: Pinheiro-bravo
Descrição: Árvore isolada
Idade aproximada: 200
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Lugar: Mata Nacional de Leiria - Talhão 231, parcela A
Nome científico: Pinus pinaster Aiton
Nome vulgar: Pinheiro-bravo
Descrição: Árvore isolada
Idade aproximada: 100
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Lugar: Mata Nacional de Leiria - Talhão 179
Nome científico: Taxodium distichum Richards
Nome vulgar: Cipreste-dos-pântanos
Descrição: Em maciço
Idade aproximada: 100
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Lugar: Mata Nacional de Leiria -Talhão 35
Nome científico: Pinus pinaster Aiton
Nome vulgar: Pinheiro-bravo
Descrição: Árvore isolada
Idade aproximada: 200
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Lugar: Mata Nacional de Leiria - Talhão 152
Nome científico: Pinus pinaster Aiton
Nome vulgar: Pinheiro-bravo
Descrição: Árvore isolada
Idade aproximada: 190
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Lugar: Mata Nacional de Leiria - Talhão 168
Nome científico: Pinus pinaster Aiton
Nome vulgar: Pinheiro-bravo
Descrição: Árvore isolada
Idade aproximada: 190
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Lugar: Mata Nacional de Leiria - Talhão 207 - Árvore 2
Nome científico: Pinus pinaster Aiton
Nome vulgar: Pinheiro-bravo
Descrição: Árvore isolada
Idade aproximada: 200
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Lugar: Mata Nacional de Leiria - Talhão 234
Nome científico: Pinus pinaster Aiton
Nome vulgar: Pinheiro-bravo
Descrição: Árvore isolada
Idade aproximada: 180
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Lugar: Mata Nacional de Leiria - Talhão 290
Nome científico: Pinus pinaster Aiton
Nome vulgar: Pinheiro-bravo
Descrição: Árvore isolada
Idade aproximada: 200
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Lugar: Mata Nacional de Leiria - Talhão 307 - Árvore 2
Nome científico: Pinus pinaster Aiton
Nome vulgar: Pinheiro-bravo
Descrição: Árvore isolada
Idade aproximada: 120
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Lugar: Mata Nacional de Leiria - Talhão 337
Nome científico: Pinus pinaster Aiton
Nome vulgar: Pinheiro-bravo
Descrição: Árvore isolada
Idade aproximada: 180
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Lugar: Mata Nacional de Leiria - Talhão 206
Nome científico: Pinus pinaster Aiton
Nome vulgar: Pinheiro-bravo
Descrição: Árvore Isolada
Idade aproximada: 200
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Lugar: Mata Nacional de Leiria - Talhão 314
Nome científico: Pinus pinaster Aiton
Nome vulgar: Pinheiro-bravo
Descrição: Árvore isolada
Idade aproximada: 200
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Lugar: Mata Nacional de Leiria - Talhão 207 - Árvore 4
Nome científico: Pinus pinaster Aiton
Nome vulgar: Pinheiro-bravo
Descrição: Árvore isolada
Idade aproximada: 210
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Lugar: Mata Nacional de Leiria -Talhão 262
Nome científico: Pinus pinaster Aiton
Nome vulgar: Pinheiro-bravo
Descrição: Árvore isolada
Idade aproximada: 180
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Lugar: Mata Nacional de Leiria - Talhão 336 - Árvore 2
Nome científico: Pinus pinaster Aiton
Nome vulgar: Pinheiro-bravo
Descrição: Árvore isolada
Idade aproximada: 200
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Lugar: Mata Nacional de Leiria - Talhão 129
Nome científico: Pinus pinaster Aiton
Nome vulgar: Pinheiro-bravo
Descrição: Árvore isolada
Idade aproximada: 200
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Lugar: Mata Nacional de Leiria - Talhão 170
Nome científico: Pinus pinaster Aiton
Nome vulgar: Pinheiro-bravo
Descrição: Árvore isolada
Idade aproximada: 200
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Lugar: Mata Nacional de Leiria - Talhão 183
Nome científico: Pinus pinaster Aiton
Nome vulgar: Pinheiro-bravo
Descrição: Árvore isolada
Idade aproximada: 190
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Lugar: Mata Nacional de Leiria -Talhão 79
Nome científico: Pinus pinaster Aiton
Nome vulgar: Pinheiro-bravo
Descrição: Árvore isolada
Idade aproximada: 170
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Lugar: Mata Nacional de Leiria - Talhão 169
Nome científico: Pinus pinaster Aiton
Nome vulgar: Pinheiro-bravo
Descrição: Árvore isolada
Idade aproximada: 200
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Lugar: Mata Nacional de Leiria - Talhão 207 - Árvore 1
Nome científico: Pinus pinaster Aiton
Nome vulgar: Pinheiro-bravo
Descrição: Árvore isolada
Idade aproximada: 200
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Lugar: Mata Nacional de Leiria - Talhão 336 - Árvore 1
Nome científico: Pinus pinaster Aiton
Nome vulgar: Pinheiro-bravo
Descrição: Árvore isolada
Idade aproximada: 200
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Lugar: Mata Nacional de Leiria - Talhão 207. Árvore 3
Nome científico: Pinus pinaster Aiton
Nome vulgar: Pinheiro-bravo
Descrição: Árvore isolada
Idade aproximada: 200
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Lugar: Mata Nacional de Leiria - Talhão 316
Nome científico: Pinus pinaster Aiton
Nome vulgar: Pinheiro-bravo
Descrição: Árvore isolada
Idade aproximada: 200
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Lugar: Mata Nacional de Leiria -Talhão 54
Nome científico: Pinus pinaster Aiton
Nome vulgar: Pinheiro-bravo
Descrição: Árvore isolada
Idade aproximada: 150
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Lugar: Mata Nacional de Leiria - Talhão 289
Nome científico: Pinus pinaster Aiton
Nome vulgar: Pinheiro-bravo
Descrição: Árvore Isolada
Idade aproximada: 200
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Lugar: Mata Nacional de Leiria - Talhão 307 - Árvore 1
Nome científico: Pinus pinaster Aiton
Nome vulgar: Pinheiro-bravo
Descrição: Árvore isolada
Idade aproximada: 200
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Lugar: Mata Nacional de Leiria - Talhão 271
Nome científico: Pinus pinaster Aiton
Nome vulgar: Pinheiro-bravo
Descrição: Árvore isolada
Idade aproximada: 200
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Fonte: http://www.icnf.pt/portal/florestas/aip/


As árvores do Pinhal do Rei (Mata Nacional de Leiria) em marcador de páginas

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

O antigo Ponto de Vigia dos Outeiros

            Em tudo idêntico aos Pontos de vigia ainda hoje ao serviço no Pinhal do Rei, tudo leva a crer que o ponto de vigia existente no lugar dos Outeiros em Vieira de Leiria foi, provavelmente, construído obedecendo ao projecto do Eng.º Mário Amaro Santos Galo por volta de finais da década de 30 do século passado.
            Este ponto de vigia, situado fora do perímetro do Pinhal do Rei (Pinhal de Leiria – Mata Nacional de Leiria), servia não só este Pinhal mas também o Pinhal do Pedrógão fazendo a ligação entre estas duas matas vizinhas.
            Depois de dasactivado, o ponto de vigia serviu de brincadeira às crianças daquele tempo que se entretinham subindo ao cimo para, lá do alto, numa fugida, observarem a paisagem.
            Mais tarde, o ponto de vigia e o terreno onde está implantado foram vendidos a um particular que, dado o avançado estado de degradação em que aquele se encontrava, agora o recuperou. Diz quem já por lá passou que está “lindo, como se fosse novo...” e que, “dá gosto vê-lo…”, ao que eu acrescentaria que, como está, já faz inveja aos seus congéneres que ainda fazem serviço no Pinhal do Rei.
            O antigo ponto de vigia é conhecido como “Mirante” e é considerado o símbolo do lugar dos Outeiros, ao ponto de dar o nome ao arruamento que por ali passa.
 

O Mirante em 2008

 
 
O Mirante em Novembro de 2012

Conhecido como “Mirante”, o antigo ponto de vigia dá o nome à rua

sábado, 1 de dezembro de 2012

Casa de Guarda Nova da Louçã (vestígios)

            Uma vez que não conheço completamente o nosso Pinhal do Rei, e estando interessado em superar essa falha, tenho vindo a fazer alguns passeios, de vez em quando, precisamente no sentido de aumentar o meu conhecimento em relação à actualidade do Pinhal, vindo aqui, posteriormente, disso dar conhecimento.
            Se algumas vezes o faço revisitando locais onde já não ia há muito tempo, acontece-me por vezes deslocar-me a um local onde nunca tinha ido, do qual apenas ouvi falar ou tive conhecimento por antigos mapas do Pinhal, desconhecendo em concreto se vou ou não encontrar o que procuro e em que estado se encontra, caso ainda exista.
            Foi este o caso de uma visita ao Pinhal que, há alguns dias atrás, fiz em busca da antiga Casa de Guarda Nova da Louçã.
            Situada na parte norte do Pinhal do Rei, junto ao aceiro exterior, entre as Casas de Guarda da Água Formosa e Cabeça da Louçã (F), dela pouco ou nada haverá para dizer pois, agora que estive no local, posso dizer que já não existe.
            Chegado ao presumível local, deparei-me com alguns amontoados de entulho despejados junto do aceiro exterior e caminhos limítrofes, deduzindo imediatamente que a antiga casa de guarda já não existia mas, ficando, no entanto, sem saber o local exacto da sua existência.
            Sendo o aceiro exterior um caminho ainda com razoável trânsito acabei por perguntar a um transeunte que, com gentileza, me informou que a antiga casa de guarda tinha sido demolida após 1974, indicando-me de seguida o local exacto onde aquela se situava e onde ainda são visíveis os seus escombros, já cobertos por alguma vegetação e pinhal. Do outro lado do caminho, mesmo em frente ao local que me foi indicado, é ainda visível o poço e o tanque de lavar que pertenciam à antiga casa e, um pouco mais para oeste, existe ainda uma velha figueira que, apesar de tudo, ainda vai teimando em dar fruto.

Escombros da antiga Casa de Guarda Nova da Louçã

O poço e o tanque que pertenceram à antiga Casa de Guarda Nova da Louçã

Ali perto, a velha figueira ainda teima em dar fruto

domingo, 25 de novembro de 2012

José Lopes Vieira

            Nasceu a 18 de Junho de 1862, no lugar de Abadia, freguesia de Cortes, concelho de Leiria.
            Bacharel em Filosofia pela Universidade de Coimbra em1887, sentiu-se atraído pela silvicultura e obteve o diploma de engenheiro silvicultor na Escola Florestal de Nancy em 1889.
            Embora convidado a leccionar nessa mesma escola, José Lopes Vieira recusou por desejar regressar a Portugal. No nosso país procurou desenvolver os novos métodos e processos que aprendera. Dirigiu os trabalhos de arborização das serras do Gerês e da Estrela, elaborando sobre este assunto vários estudos e valiosas indicações, não só silvícolas mas também sobre o aproveitamento hidroeléctrico – um problema que encarou com larga e justa visão.
            Foi colocado como silvicultor nos Serviços Florestais da Marinha Grande. Entre outros trabalhos projectou e publicou um ordenamento do Pinhal Real de Leiria, um interessante e valioso estudo da administração e economia florestal. Executou a triangulação dos pontos de vigia. Em cada ponto é instalada uma luneta de grande alcance que gira em torno de um círculo graduado. A orientação do norte verdadeiro é 0 graus e na planta do pinhal são definidos os respectivos quadrantes.
            Cerca de 1901, conjuntamente com Mário Galo, inicia a construção de pequenas barragens nos afluentes do rio Lis, numa tentativa de correcção do leito do rio, bem como o reflorestamento dos terrenos – arborização das charnecas de Caranguejeira e Marrazes. Estes trabalhos foram alvo de duras críticas e resistência por parte das populações, tendo sido porém bastante importantes no melhoramento das condições de salubridade da cidade de Leiria.
            Faleceu no Porto a 26 de Novembro de 1907.
 
IN: http://www.afn.min-agricultura.pt/portal

  Patente de 10 a 27 de Março de 2011 na exposição "Factos e Personalidades do Pinhal do Rei", na Galeria Municipal da Marinha Grande – Edifício dos Arcos (Jardim Stephens)

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

A Fonte do Sardão

            De passagem pela zona norte do Pinhal do Rei, parei hoje propositadamente no talhão 51 para visitar a Fonte do Sardão. Situada junto ao Aceiro Exterior e a cerca de 2100 metros a sueste da bem conhecida Fonte da Água Formosa, num pequeno vale da parte norte do referido talhão, a fonte quase passa despercebida a quem não conhecer o local. Já, por outro lado, a quem ali chegue, despercebido não passa o facto de esta necessitar de obras de manutenção e limpeza, aliás, como muitas outras nesta Mata Nacional.
            Quanto à água, não provei! Diz um letreiro afixado que não é controlada.



A Fonte do Sardão

Pôr-do-sol na Fonte do Sardão

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Resinagem à morte

            Representando ainda uma valiosa fonte de receita na economia do Pinhal do Rei, a exploração da resina e a sua destilação deixaram, no entanto, de ser efectuadas directamente pelos Serviços Florestais.
            Nos dias de hoje a produção de resina constitui uma actividade secundária, sendo apenas explorada nos últimos três anos antes do corte final. Nestes três anos a resinagem é feita de modo intensivo, com várias feridas em volta do tronco da árvore e subindo nele a cada ano, ou seja, sendo renovadas.
            A resina e seus derivados são explorados por particulares que, mediante concursos abertos pelos Serviços Florestais, arrematam a sua exploração.
            Das árvores sujeitas a este tipo de resinagem diz-se que estão à morte, já que, este método, retira toda a resina do pinheiro condenando-o a morrer, o que, na prática, já está planeado, vindo a acontecer ao fim do terceiro ano de resinagem quando se fizer o corte final do talhão.
 
Resinagem à morte - anos 60 do séc. XX
 
Talhão resinado à morte, vendo-se à esquerda alguma resina já ensacada e metida em bidões - 2012

Pinheiro submetido à resinagem à morte - 2012
 
Ferida em pinheiro resinado à morte- 2012
 
Resina escorrendo na ferida em pinheiro resinado à morte - 2012

sábado, 10 de novembro de 2012

A Fonte das Canas

            Andava já há muito tempo intrigado acerca da existência, ou não, em nossos dias, da Fonte das Canas no Pinhal do Rei.
            Referenciada por vários autores em publicações acerca do Pinhal do Rei, esta fonte aparece, também, no mapa de 1940 do Pinhal, mais propriamente no talhão 144, local, hoje em dia, por nós conhecido como Samouco ou Olho do Samouco.
            Havendo nesse local uma fonte, de início tudo me levava a crer que se tratasse dessa mesma fonte, talvez reconstruída, uma vez que aparenta ser de construção mais ou menos recente.
            Porém, mesmo depois de ter inquirido inúmeras pessoas acerca deste assunto, continuava confuso, pois falava-se também de uma outra fonte, conhecida por Fonte dos Morangos, e, se uns garantiam a existência de apenas uma fonte, sendo a Fonte das Canas e a Fonte dos Morangos a mesma coisa, outros garantiam a existência das duas em simultâneo, sendo a Fonte dos Morangos um pouco a Sul da Fonte das Canas. Mas existiriam uma e outra ainda hoje? E a fonte no Olho do Samouco?
            Discutindo um dia este assunto numa das redes sociais da Internet, surgiu um pouco de luz. Alguém disse que, garantidamente, dito por pessoa muito conhecedora deste local, a Fonte dos Morangos já não existia há muitos anos e a Fonte das Canas ainda existia, um pouco abaixo da fonte construída no lugar do Samouco e cujo nome desconheço.
            Decidi então ir à descoberta e pôr-me ao caminho.
            Assim sendo, e depois de saciada a minha curiosidade, venho hoje apresentar aos leitores deste Blog, à volta do tema “Pinhal do Rei”, justamente o resultado dessa experiência.
            Desconhecendo por completo o que iria encontrar, sabia, no entanto, que deveria tomar um caminho perto do lugar do Samouco e que, não muito longe dali, deveria deixar esse caminho e virar à esquerda seguindo por outro.
            Depois de cerca de uns cinco minutos a caminhar, devagar, apreciando a belíssima paisagem que nos oferece esta zona, deparo-me, à esquerda do caminho, com uma clareira na floresta, onde o solo, muito verde, totalmente coberto de musgo e repleto de cogumelos, indicava por certo a presença de água nas proximidades. Atravessada a clareira, deparo-me com uma velha mesa de madeira com bancos corridos e montada em sítio estratégico à sombra do arvoredo, alvitrando a hipótese de, em tempos, ali terem ocorrido grandes patuscadas. Aproximei-me um pouco e… lá estava ela: a Fonte das Canas, cuja nascente, um pequeno buraco na terra, se situa a cerca de dez metros, mesmo por baixo da velha mesa.
            Esta primitiva fonte, em nada parecida com as fontes vistas em outros locais da Mata, é constituída apenas por uma pequena represa, feita no regato, logo após a nascente, e onde foi colocado um pequeno tubo por onde corre límpida a preciosa água.

Paisagem sobranceira à nascente da Fonte das Canas

A nascente da Fonte das Canas



A Fonte das Canas

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Percurso pedestre - “PR1 – Trilho da Antiga Linha do Comboio de Lata”

            Do conjunto de três percursos pedestres criados pela Câmara Municipal da Marinha Grande, faz parte o percurso designado por “PR1 – Trilho da Antiga Linha do Comboio de Lata”. Este percurso, de grau de dificuldade moderado, em âmbito florestal, tem uma extensão de 6,4 Km e pode ser feito em cerca de duas horas.
            O ponto de partida para este percurso é feito no Parque do Vale do Ribeiro de S. Pedro de Moel em S. Pedro de Moel, junto ao antigo lavadouro, tendo o percurso como ponto de interesse principal, para além de proporcionar uma visita a S. Pedro de Moel e ao Pinhal do Rei, o facto de, em parte, seguir o antigo traçado da linha do Comboio de Lata que passava por S. Pedro de Moel.

Mapa com indicação dos três percursos pedestres
IN: http://services.cm-mgrande.pt/agendas/GUIA_MG_2012/default.html

Indicação do início do percurso pedestre - “PR1 – Trilho da Antiga Linha do Comboio de Lata” no Parque do Vale do Ribeiro de S. Pedro de Moel em S. Pedro de Moel

O Comboio de Lata em 1936

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Antiga casa de veraneio dos Bombeiros Voluntários da Marinha Grande

            A antiga Casa de Guarda do M situava-se junto à Praia das Pedras Negras, precisamente no fim do aceiro M, do qual herdou o nome. 
            Fisicamente, desta antiga Casa de Guarda, em nossos dias, já nada existe. Apenas a recordação da sua existência em prol do Pinhal do Rei vai ainda perdurando na memória daqueles que dela se recordam.
            Porém, quem hoje em dia visite aquele lugar depara-se com as ruínas de uma antiga construção, as quais, por muitos dos visitantes, são entendidas como sendo as ruínas da antiga Casa de Guarda do M. Na verdade, assim não é. Trata-se das ruínas de uma pequena casa construída, em tempos, pelos Bombeiros Voluntários da Marinha Grande para uso no Verão durante as suas horas de lazer e que, depois de abandonada, se encontra em ruínas. Para o visitante pouco conhecedor da existência e localização exacta destas duas construções, a localização destas ruínas, mesmo ao lado do local onde, em tempos, existiu a antiga Casa de Guarda do M, pode levar à confusão com hipotéticas ruínas da mesma Casa de Guarda.

 
 
 
  Ruínas da antiga casa de veraneio dos Bombeiros Voluntários da Marinha Grande no Pinhal do Rei

sábado, 27 de outubro de 2012

António Mendes de Almeida

            Silvicultor e Agrónomo, nascido em Celorico da Beira no ano de 1867 e formado pelo Instituto Superior de Agronomia e Veterinária de Lisboa 20 anos depois.
            Foi inspector principal da Direcção Geral dos Serviços Florestais e Aquícolas, e desempenhou numerosas comissões de serviço, de carácter científico. Efectuou diversas visitas ao estrangeiro em representação do governo português, e nesta condição participou nos congressos Florestal, em Paris (1913); de Silvicultura, em Roma (1935); da Cortiça, em Paris, Lisboa e Madrid, (1931, 1932 e 1934, respectivamente).
            Introduziu o Decauville Florestal no Pinhal de Leiria, em 1922. Dois anos depois foi o impulsionador da criação em Portugal de duas Estações de Experimentação Florestal: do Pinheiro Bravo (Marinha Grande) e do Sobreiro (Alcobaça).
            Leccionou a cadeira de Economia Florestal no Instituto Superior de Agronomia.
            Agraciado com o Hábito de S. Tiago e o Oficialato do Mérito Agrícola Francês, foi sócio correspondente da Academia de Agricultura de França.
            Publicou, entre outras, as seguintes obras: “A arborização e utilização das serras portuguesas”, “Elogio histórico do silvicultor Bernardino Barros Gomes”, “As Florestas e a guerra”, “O problema Florestal português” e “Portugal Florestal”.
            Faleceu em Lisboa a 19 de Julho de 1937.

IN: http://www.afn.min-agricultura.pt/portal

Patente de 10 a 27 de Março de 2011 na exposição "Factos e Personalidades do Pinhal do Rei", na Galeria Municipal da Marinha Grande – Edifício dos Arcos (Jardim Stephens)


 

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

À volta da Casa de Guarda do Rio Tinto

            Encontrando-se em estado de abandono, a Casa de Guarda do Rio Tinto foi, no entanto, emparedada, procurando-se, talvez, numa derradeira tentativa, preservá-la tanto quanto possível da destruição por vandalismo a que já estava a ser sujeita e, deste modo, evitar-se uma maior degradação e o consequente e rápido encaminhar até à completa ruína, como tem acontecido com a maior parte das Casas de Guarda do Pinhal do Rei.
            Em visita a esta Casa de Guarda pude observar e registar fotograficamente alguns dos vestígios (lixo) deixados à sua volta por ocupantes de outros tempos.
 
 

 






quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Janelas com vista para o Pinhal do Rei

            Encontrando-se em estado de ruína quase todas as Casas de Guarda do Pinhal do Rei, a visita a algumas delas permite, por vezes, interessantes apontamentos fotográficos a quem gosta destas coisas. É o caso das fotografias tiradas à Mata através das velhas janelas, a maior parte delas já sem vidro ou caixilho, servindo estas de enquadramento e moldura.
            De visita às ruinas da Casa de Guarda do 6 obtive estes curiosos clichés.
 

 
 

domingo, 21 de outubro de 2012

Pontes na Ponte Nova

            O lugar da Ponte Nova, no Pinhal do Rei, situa-se entre a ponte de S. Pedro de Moel, na Estrada Nacional 242-2, e o Canto do Ribeiro na Praia Velha, estendendo-se ao longo do Ribeiro de S. Pedro de Moel e oferecendo a quem o visita um conjunto de recantos paradisíacos.
            Desconhecendo a origem do topónimo, arriscaria, no entanto, dizer que este deriva da existência no lugar de uma ponte que atravessa o ribeiro dando passagem à estrada florestal. A actual ponte foi construída em 1955 mas existem referências e fotografias a várias pontes anteriores a esta e, provavelmente, a uma delas, alguém, em tempos, teria chamado “nova”, por ter substituído alguma outra anteriormente existente.
            Junto desta existem pequenas pontes de madeira permitindo aos visitantes a comunicação entre as margens do ribeiro, sendo, porém, de lamentar o estado de conservação em que estas já se encontram, estando em causa a segurança de quem as atravessa.

Açude e ponte em madeira a montante da Ponte Nova

Açude e ponte em madeira a montante da Ponte Nova

Pequena ponte em madeira a jusante da Ponte Nova
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