terça-feira, 23 de maio de 2017

Regulamento do Trânsito nas Estradas Florestais a Macadame da Mata de Leiria

            Atendendo à antiguidade do Pinhal do Rei/Mata Nacional de Leiria/Pinhal de Leiria, pode dizer-se que os transportes dentro da Mata foram, durante séculos, feitos por veículos de tracção animal, pois não havia outros.
            A tracção animal no Pinhal do Rei usou-se, em alguns casos, nomeadamente nas aldeias limítrofes, até quase ao século actual, apesar da existência já de boas rodovias e veículos rodoviários motorizados.
            Segundo Manuel Afonso da Costa Barros, Cabo dos Guardas do Real Pinhal de Leiria, Director das Fábricas Resinosas e Administrador Interino do Pinhal de Leiria em 1847, em “Reflexões e cálculos”, havia em 1772 “2129 carros obrigados ao serviço das conduções de madeira d’este Pinhal para o porto de S. Martinho”, havendo ainda a juntar a estes os carros usados pelas populações vizinhas na recolha de produtos do Pinhal para uso nas suas lavouras. Este número veio a decair significativamente e, em 1822, ainda segundo o mesmo autor, esse número era apenas de “200 carros para todos os serviços do Pinhal”, ainda assim um grande número.
            Recorde-se que, quase até finais do Séc. XIX, por falta de estradas, estes carros circulavam apenas por caminhos ancestrais abertos ao longo dos tempos no Pinhal.
            A partir de 1867, os Serviços Florestais, para seu uso próprio, construíram então algumas estradas dentro e fora do Pinhal.
            Em 1921, o Pinhal do Rei contava já com cerca de 31 km de estradas macadamizadas.
            Para circular nestas estradas e atendendo ao ainda grande número deste tipo de carros, houve a necessidade de se regulamentar o trânsito dentro do Pinhal, obrigando os Serviços Florestais a criar, em 1925, um regulamento especial para o efeito. Este regulamento, aprovado por despacho ministerial, foi complementado em 1926 através de Decreto-lei, aplicando-se alguns dos seus artigos ao regulamento já existente.
            Para circularem com os carros no interior do Pinhal, os carreiros estavam obrigados a possuir uma licença de trânsito, passada, conforme o regulamento, a troco de pagamento de taxas. Por outro lado, na verdade, tratava-se de um conjunto de proibições e obrigações, onde os incumpridores de qualquer dos seus artigos estavam sujeitos a pesadas multas.

Regulamento do Trânsito nas Estradas Florestais a Macadame
da Mata de Leiria (com Decreto-lei de 1926 anexo)
(In: Roldão, Gabriel, 2017, Elucidário do Pinhal do Rei, Marinha Grande)


Comboio de carros de tracção animal no Pinhal do Rei
Transporte de lenha - anos 50 de séc. XX

quarta-feira, 10 de maio de 2017

A diversidade arbórea da zona da Ponte Nova

            Em princípios do séc. XIX, a zona da Ponte Nova era atravessada pela velha estrada que ligava a Marinha Grande a S. Pedro de Moel, da qual ainda há vestígios a nascente da Ponte Nova, na parte alta quando se vem de Pedreanes. Esta estrada passava mesmo junto às instalações do engenho de serrar movido com água do ribeiro, existindo uma pequena ponte para atravessamento do ribeiro. Para além disto, a Ponte Nova seria, provavelmente, uma zona ainda muito fechada e sem outros acessos.
            Porém, tudo mudou quando experiências florestais com diversas espécies de árvores começaram, mais ou menos nessa época, a ser feitas no Pinhal do Rei.
            O Viveiro do Tromelgo, com Frederico Varnhagem, pode ter sido o início destas experiências.
            Recorde-se parte do que aqui escrevi acerca do Viveiro do Tromelgo:

             «Desconhece-se ao certo a data de entrada em funcionamento do viveiro do Tromelgo mas um documento enviado a Frederico Varnhagem em 1826, citado por Arala Pinto em 1938 no seu livro “Pinhal do Rei”, já dizia: “Remeto a V. S.ª huma porção de Penisco, novo, colhido nos Bosques da Polonia, e da Rússia Branca, a fim de que de baixo de todo o cuidado e observação V. S.ª o faça semear, como melhor julgar, nos Reaes Pinhaes da sua Administração; devendo V. S,ª de huma pequena porção do referido Penisco fazer sementeira, onde entender mais acertado, em alfobres, (…), enquanto não vingam. E posteriormente informar-me do resultado destas plantações.”.
            Poderá ter estado aqui o início do viveiro do Tromelgo, onde o terreno era fresco, fundo e havia água em abundância.
            Em 1838, num outro documento, também citado por Arala Pinto, manifestava-se a preocupação com a qualidade e estado das sementes. E em 1839, já no tempo da Rainha D. Maria II, é seu marido D. Fernando II que pretendendo introduzir novas essências florestais se dirige a Frederico Varnhagem, através da Secretaria de Estado do Negócio da Marinha e do Ultramar: “De ordem de Sua Exª. O Ministro e Secretário de Estado desta Repartição tenho a honra de enviar a V. Exª. O pequeno caixote, que receberá pelo Seguro, e o qual encerra trinta e três amostras de diferentes espécies de Pinheiros as quais foram dadas a Sua Exª. Por Sua Magestade o Sr. D. Fernando o Segundo, a fim de serem mandados semear e cultivar com esmero as futuras plantas, dando V, S.ª conta do resultado desta sementeira, como sua Ex.ª manda muito recomendar (…)”.
            O viveiro do Tromelgo foi ampliado no tempo de João de Fontes Pereira de Melo, sucessor de Frederico Varnhagem, e em 1845 recebe várias espécies de sementes.
            “Em 1868 já se ordena que dos viveiros do Tromelgo e do Engenho sejam fornecidas plantas à Câmara Municipal de Vila do Conde”, segundo nos diz também Arala Pinto, referindo a existência de documentação comprovativa em arquivo na 3ª Circunscrição Florestal (Marinha Grande).
            Ao longo dos tempos, no viveiro do Tromelgo, talhões 289/290 do Pinhal do Rei, foram plantadas várias espécies de árvores e plantas destinadas a serem distribuídas pelas Câmaras Municipais e Serviços Florestais de todo o país.».

            Era portanto o tempo de se desenvolver o cultivo de novas espécies florestais em Portugal.
            Assim, era normal naquela época que os novos administradores que chegavam ao Pinhal Real mandassem fazer experiências de plantio de novas espécies, não habituais nestas paragens. Também os locais para essas experiências era normal que fossem escolhidos com base nas condições de cada local, sendo que a presença de água seria sempre essencial.
            Foi por isso que se plantaram diversas espécies de árvores em locais onde esse requisito estava presente, como ainda hoje podemos confirmar no Tromelgo, Samouco, Água Formosa ou Ponte Nova, todos eles junto a nascentes de água ou ribeiros.
            Há referências a que, em 1892, chegou a haver um viveiro de acácias no talhão 179 e um viveiro de eucaliptos no talhão 162. Alguns desses eucaliptos foram provavelmente plantados na Ponte Nova.
            Já no séc. XX, durante a administração de Arala Pinto, com a construção, em 1929/30, da estrada do “Canto do Ribeiro”, que liga a Ponte Nova à Praia Velha, para embelezar todo o trajecto ao longo do ribeiro, a par, certamente, de novas experiências florestais, foram plantadas várias espécies arbóreas. E já depois de 1950, com a construção da estrada da “Valdimeira”, que liga a Ponte Nova à estrada entre a Marinha Grande e S. Pedro de Moel (EN 242-2), em continuação da estrada do “Canto do Ribeiro”, mais espécies foram plantadas (eucaliptos, carvalhos, faias e amieiros) para embelezamento de todo o trajecto, quebrando assim a monotonia arbórea (pinheiro bravo) que caracteriza o Pinhal do Rei.
            Terá sido assim que a diversidade arbórea da zona da Ponte Nova nasceu, oferecendo-nos hoje em dia o mais belo itinerário do Pinhal do Rei, onde, ao longo do Ribeiro de S. Pedro de Moel, podemos observar um conjunto de árvores notáveis: eucaliptos gigantes, com mais de 50 metros de altura (dos maiores da Europa), raros exemplares de carvalhos, faias e amieiros.
            Ao longo deste trajecto, sendo a Ponte Nova e suas imediações locais de muitas nascentes de água, facilmente podemos encontrar um grande número de fontes.
            Como se vê, estamos na presença de um lugar repleto de recantos paradisíacos, onde se pode repousar, contemplar a Natureza e merendar em mesas colocadas estrategicamente ao longo do Ribeiro.

Eucaliptos gigantes na Ponte Nova

Fonte da Ponte Nova

Parque de merendas junto ao açude da Ponte Nova e Ribeiro de Moel

segunda-feira, 24 de abril de 2017

A madeira para construção naval

            Sabe-se hoje que o Pinhal do Rei (Pinhal de Leiria) não teve a sua origem em sementeiras feitas por ordem de D. Dinis. Segundo a maioria dos investigadores, a afirmação de que teria sido D. Dinis a mandar plantar o Pinhal poderá ter partido de antigos Cronistas do Reino que, sem o devido fundamento, assim o afirmaram.
            A origem do Pinhal do Rei perde-se na vastidão dos tempos. No entanto, sabe-se que, mesmo antes da fundação de Portugal, já aqui existia algum tipo de mata, talvez apenas pinheiro manso (está ainda por confirmar) e alguma outra vegetação espontânea.
            Porém, é também sabido que D. Dinis, fomentador e precursor de empreendimentos marítimos, dedicou à floresta grande atenção, para que no futuro não faltasse matéria-prima à construção de embarcações. Esta atenção, entre outros interesses, nomeadamente agrícolas, levou a que D. Dinis fomentasse o aumento desta mata, fazendo novas sementeiras e, como se julga, introduzindo o pinheiro bravo.
            Logo durante o reinado de D. Dinis (1279-1325), o Pinhal, à data existente, começou a fornecer madeira para construção de pequenos barcos, com os quais se iniciou o comércio marítimo e as pescas nos ancoradouros da região.
            Também D. Fernando, no seu reinado (1367-1383), continuou a dar grande importância ao Pinhal, pois ao desenvolver cada vez mais a indústria de construção naval com vista ao comércio e à navegação precisava das suas madeiras.
            Segundo Arala Pinto, que, nos anos 30 do passado século, em obras de alargamento da estrada florestal junto ao “Canto do Ribeiro” (foz do ribeiro de Moel na Praia Velha) encontrou ruinas de uma presumível barragem do tempo de D. Fernando e após estudos que fez em antigos documentos, consta que o Monarca tenha mandado construir, na foz do ribeiro de Moel, uma lagoa artificial onde as madeiras vindas pelo ribeiro chegavam e eram retidas para serem mais tarde carregadas em barcos que as levavam aos estaleiros da Pederneira (Nazaré), Alfeizerão (S. Martinho do Porto) e Ribeira das Naus (Lisboa).
            A partir de 1415, no reinado de D. João I, iniciaram-se as conquistas em África e, mais tarde, as primeiras Descobertas.
            No reinado de D. Manuel I (1495-1521), com a grande expansão marítima e a presença nos mares de cada vez mais embarcações portuguesas, o Pinhal manteve sempre grande importância no fornecimento de madeira para construção naval.
            Por motivos idênticos, os reis espanhóis que governaram Portugal entre 1580 e 1640 deram também grande importância ao Pinhal.
            Após a restauração da independência portuguesa, D. João IV, ao querer reaver as possessões que se tinham perdido durante o domínio espanhol, precisava refazer a Armada, que se encontrava destruída, necessitando para isso de grandes quantidades de madeira. Mais uma vez, o Pinhal satisfez essas necessidades.
            A partir daí, a necessidade de madeira para construção naval decaiu um pouco e, mais tarde, em 1850, com o aparecimento da chapa de ferro para construção de grandes barcos, alguns estaleiros passaram por dificuldades.
            No entanto, e até finais do século XIX, o Pinhal continuou, em força, a fornecer madeira para a construção naval, pois esta indústria enveredou por outro tipo de barcos onde a madeira era ainda essencial: pequenos barcos de pesca, de recreio, arrastões, bacalhoeiros, traineiras, etc.
            Assim, a madeira do Pinhal do Rei teve como principal destino, além de outros, até meados do sécXIX, a construção naval.
            E, já no século XX, segundo Arala Pinto, com a construção dos navios bacalhoeiros que iam à Terra Nova e Gronelândia, e por nota que lhe foi fornecida pelo Regente Florestal Sr. Manuel Alberto Rei, se gastava a seguinte quantidade de madeira:

In: Pinto, António Arala, 1938, O Pinhal do Rei - Subsídios





In: Fernandes, Manuel, 1616, Livro das Traças de Carpintaria

domingo, 9 de abril de 2017

Futebol no Pinhal do Rei

            Ao longo dos tempos, particularmente a partir de finais do século XIX, têm sido inúmeras as cedências de parcelas de terreno do Pinhal do Rei para as mais diversas utilizações.
            De facto, o desenvolvimento do concelho da Marinha Grande, nomeadamente as povoações de Vieira de Leiria, Praia da Vieira e S. Pedro de Moel, cercadas pela grande Mata, levou a que grandes parcelas de terreno do Pinhal fossem cedidas ao concelho da Marinha Grande para o imprescindível crescimento destas povoações. Destes terrenos, alguns foram cedidos para agricultura, outros para urbanização e construção de habitações e outros, por necessidades cada vez maiores dos povoados, para as mais diversas utilizações, desde escolas, mercados, parques de campismo, depósitos de água, uma ETAR (S. Pedro de Moel), etc.
            Para além da cedência de terrenos junto às referidas povoações, a pedido das mais diversas instituições, houve também algumas parcelas cedidas no interior do próprio Pinhal. Foram disso exemplos os terrenos cedidos para instalação de captações e depósitos de água, lixeira (deveria ter sido aterro sanitário), antenas de telecomunicações (telemóveis) e até um observatório astronómico. Mas houve mais, como foi o caso dos terrenos cedidos ou autorizações dadas para construção de estruturas desportivas: ciclovias, percursos pedestres, campos de treino para caça, ou campos de futebol.
            E é sobre um campo de futebol o propósito deste comentário.
            Existe na praia da Vieira, no talhão 1 do Pinhal do Rei, à esquerda do “Ramal da Praia”, estrada que liga a Vieira de Leiria à Praia da Vieira, um campo de futebol abandonado. Não é intenção dizer aqui algo sobre essa situação de abandono, mas sim apenas elucidar como aparece no meio do Pinhal um campo de futebol.
            Foi no longínquo ano de 1923 que a direcção do Grupo de Foot-Ball Operário Vieirense apresentou à Direcção Geral dos Serviços Florestais um pedido para cedência do terreno e autorização para instalação do seu campo de futebol. O pedido viria a ser aprovado mediante um protocolo assinado entre as duas entidades. Estabeleceu-se, assim, o arrendamento do terreno por uma quantia de 15 escudos por ano, construindo-se então o campo de futebol.
            Porém, algum tempo depois, o Grupo de Foot-Ball Operário Vieirense viria a ser extinto, voltando o terreno à posse administrativa dos Serviços Florestais.
            Ora, em 1934, mantendo-se instalado o campo de jogos, foi cedido o direito de uso ao Grupo Desportivo da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Vieira de Leiria.
            A cessão foi feita por decreto-lei em Setembro de 1934, sendo lavrado o auto em Dezembro de 1944 na Repartição de Finanças da Marinha Grande.
            Actualmente este campo de jogos encontra-se desactivado. Por isso, conforme pode ler-se no Plano de Gestão Florestal – Mata Nacional de Leiria, «(…) o campo não se encontra a desempenhar a função para a qual foi criado, tendo novamente revertido a sua gestão para a UGF (Unidade de Gestão Florestal do Centro Litoral).

Vista geral do campo de jogos

Baliza (sul)

Edifício de apoio

sexta-feira, 17 de março de 2017

O açude da Ponte Nova

            O pequeno açude existente no Ribeiro de Moel, poucos metros a montante da ponte da Ponte Nova, juntamente com as ruínas na margem esquerda do ribeiro a jusante da mesma ponte, têm por vezes levado alguns a pensarem tratar-se de vestígios do antigo engenho de serrar madeira movido com água do próprio ribeiro.
            Relativamente às ditas ruinas na margem esquerda do ribeiro, a jusante da Ponte Nova, ao analisar o aspecto do pouco que podemos actualmente visualizar, já que estas se encontram maioritariamente soterradas, podemos de facto, dada a aparente antiguidade, colocar a hipótese de se tratar de vestígios do antigo engenho ou da represa feita no ribeiro para alimentar a levada que levaria a água para accionar o engenho. Porém, no meu entender, para o podermos afirmar com absoluta certeza, seriam necessários estudos aprofundados e alguns trabalhos no terreno.
            Já em relação ao pequeno açude existente poucos metros a montante da ponte da Ponte Nova, pela sua aparente recente construção (meados do Séc. XX), e pelo que passo a descrever de seguida, pode-se afirmar que este não tem qualquer relação com o antigo engenho de serrar.
            Ora, em Setembro de 1948, na troca de correspondência entre Carlos Manuel Baeta Neves e Arala Pinto, já aqui referida acerca da construção da actual ponte daquele local, em “A ponte nova da Ponte Nova”, ficamos a saber que, por necessidade de uma nova ponte, maior e mais robusta e em local mais seguro do que aquele onde estava a velha ponte (arruinada), se escolheu a localização tendo em conta uma inevitável e necessária correcção torrencial, melhorando o leito do ribeiro e os acessos à nova ponte.
            Sabendo que a correcção torrencial implicava o desvio do leito do ribeiro, Arala Pinto ordenou a construção da nova ponte no local escolhido, e só depois as águas foram desviadas para o novo leito, aterrando-se então o antigo. Portanto, em toda aquela zona, o actual leito do ribeiro onde se encontra o pequeno açude não seria o leito do ribeiro na época do engenho de serrar madeira movido a água.
            Por outro lado, na mencionada troca de correspondência, Baeta Neves, acerca da anunciada correcção torrencial do ribeiro, escreve: «Surpreende-me tudo isto; em primeiro lugar que o ribeiro necessite de obra tão artificial como a que se anuncia (…)». É então que Arala Pinto, em resposta, justificando a necessidade do desvio do ribeiro, nos dá indícios da intenção de construir o açude, dizendo: «Que é bem necessário artificializar então o curso do ribeiro de Moel demonstrou-o a ruína da ponte corroída pelos seus alicerces. Mas também creio que não ficará ali nada mal uma pequena barragem a formar uma cantante queda de água.».
            Terá sido assim que, após o período de construção da actual ponte na Ponte Nova e o necessário desvio para correcção torrencial do Ribeiro de Moel, se construiu o pequeno açude que todos conhecemos hoje em dia. Todavia, a construção do açude só veio a concretizar-se durante a administração de Acácio Amaral, que, trabalhando como adjunto de Arala Pinto desde 1948, e por motivo de doença deste, tinha assumido a chefia da Circunscrição Florestal da Marinha Grande em 1956, já que a construção do açude só aconteceria em 1957, conforme inscrição no paredão principal.
            Há que dizer ainda, a quem de direito, que a ponte de madeira sobre a pequena barragem do açude merece já, por questões de segurança, ser substituída, uma vez que toda ela aparenta grande fragilidade, incluindo as já muito deterioradas vigas mestras.



O açude da Ponte Nova

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Casa de Guarda do Tromelgo

            Esta casa de guarda situa-se no talhão 289, entre os Aceiros Q e R na fronteira Este do Pinhal, junto ao Aceiro Exterior. Foi construída entre as décadas de 20 e de 40 do passado século.
            Segundo nos diz Arala Pinto em 1938, no seu livro “Pinhal do Rei”, o lugar do Tromelgo, ou o "Caminho do Lago do Tramelgo", era já referido no Regulamento de 1790 que deu origem às primeiras casas de guarda, onde, acerca das “Obrigações de cada um dos Guardas em particular”, em relação às obrigações do “Quinto Guarda” se dizia: «Vigiará desde o Caminho das Gaieiras até à Cova da Moura, e pelo interior, desde o lado pertencente ao quarto Guarda até ao Caminho do Lago do Tramelgo (…)».
            Após deixar de ter uso por parte dos Serviços Florestais, e embora o seu estado de conservação já não seja o melhor, sem água e sem electricidade, esta casa vai sendo habitada por uma família sem-abrigo, mantendo os vários anexos.
            Ali perto existe a Fonte do Tromelgo que, noutros tempos, detinha uma das melhores águas do Pinhal.
            Junto à casa e à fonte, estendendo-se para norte, desde cerca de 1830 até meados do século XX, funcionou o famoso Viveiro Florestal do Tromelgo, do qual, depois de abandonado pelos Serviços Florestais, ainda hoje restam algumas das grandes árvores: liriodendros, eucaliptos, magnólias, etc.
            O acesso a esta casa foi em tempos feito por um ramal de estrada próprio. O “Ramal do Viveiro” (por ali existir o viveiro florestal) partia da Estrada do Tromelgo que liga à estrada para S. Pedro de Moel. Este ramal e a Estrada do Tromelgo, tal como os conhecemos hoje, foram construídos por volta de 1930 pelos Serviços Florestais, substituindo, certamente, antigos caminhos de areia pelo interior do Pinhal. Este ramal foi mais tarde continuado, acompanhando o Aceiro Exterior até à Casa de Guarda da Sapinha e ligando depois à Estrada da Lagoa Cova e outras no interior do Pinhal.

A Casa de Guarda do Tromelgo

domingo, 8 de janeiro de 2017

No tronco dum pinheiro da Floresta

A infinita frase dos pinhaes
cantou embaladora à minha infância,
e ficou em minha alma a ressonância
destas religiosas catedraes...
Em cada inverno as árvores doridas
fogem do mundo, deixam-no sozinho;
só estas, sempre fielmente erguidas,
mantêm no mesmo gesto igual carinho.
Verdes amigos certos para a gente,
têm a constância na adversidade,
dão a saúde e ensinam a bondade,
— a Bondade: justiça sorridente.

Afonso Lopes Vieira


Painel (parte) de azulejos no antigo lavadouro de S. Pedro de Moel
Parque do Vale do Ribeiro de S. Pedro de Moel
(Desenho de Gama Diniz)

domingo, 11 de dezembro de 2016

As fontes de Moel

            A necessidade que trabalhadores e animais que na Mata outrora laboravam tinham de matar a sua sede, levaram os Serviços Florestais a construir, a partir de 1909, um conjunto de poços e fontes, aproveitando as muitas nascentes existentes no Pinhal. Muitas dessas fontes, existentes ainda nos dias de hoje, e a julgar pelas inscrições que em algumas podemos observar, terão sido construídas, ou reconstruídas, nas décadas de vinte ou trinta do passado século, sendo de crer que antes seriam apenas pequenas bicas decorrentes das várias nascentes que ocorrem em vários locais do Pinhal
            O ribeiro de S. Pedro de Moel é resultado de um conjunto de três outros pequenos ribeiros que, vindos de sul, se juntam um pouco antes da ponte de S. Pedro de Moel, na Estrada Nacional 242-2 que liga a Marinha Grande a S. Pedro de Moel. A partir desta ponte o ribeiro passa a correr entre as abruptas encostas do vale que lhe serve de leito, atravessando os locais da Valdimeira e Ponte Nova até chegar ao Canto do Ribeiro e entrar na Praia Velha onde desagua.
            É precisamente ao longo desse trajecto do ribeiro, circulando pela estrada florestal que o ladeia, que podemos encontrar um apreciável número destas fontes.
            Em 1938, o Eng.º Arala Pinto, então chefe da Circunscrição Florestal da Marinha Grande, no seu livro “Pinhal do Rei”, assinalava as fontes existentes nas margens do Ribeiro de Moel:

            ● Fonte da Ponte de S. Pedro – Talhão 276
            Fonte da Felícia – Talhão 260
            ● Fonte dos Franceses – Talhão 261
            ● Fonte do Arrife 14 – Talhão 262
            ● Fonte dos Amieiros – Talhão 262
            ● Fonte dos Guardas – Talhão 264
            Fonte da Ponte Nova – Talhão 247 (margem esquerda do ribeiro)
            Fonte da Ponte Nova – Talhão 247 (margem direita do ribeiro)
            Fonte do Arrife 20 – Talhão 249
            ● Fonte do Canto do Ribeiro – Talhão 250

            Sobre estas fontes há que dizer que a Fonte da Ponte de S. Pedro e a Fonte do Canto do Ribeiro já não existem.


Fonte da Felícia
Fonte dos Franceses
Fonte do Arrife 14
Fonte dos Amieiros
Fonte dos Guardas
Fonte da Ponte Nova – margem esquerda do ribeiro
Fonte da Ponte Nova – margem direita do ribeiro
Fonte do Arrife 20
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